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Blog do Pinheiro: Diálogo Inter-Religioso


325–  O NOVO SITE DO PROFESSOR PINHEIRO:

www.professorpinheiro.com

 

 (9/1/2012)

 

 

Acabo de criar e lançar um novo site na Internet (www.professorpinheiro.com), a fim de publicar gratuitamente todos os meus livros ecumênicos. Não tenho nenhum interesse em ganhar dinheiro com a venda de meus livros ecumênicos, mas apenas contribuir para incentivar o diálogo ecumênico e inter-religioso em busca da verdade que nos liberta (“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”).

Como foi dito na matéria nº 323 deste blog, “o verdadeiro valor de um homem não é determinado por sua posse, suposta ou real, da Verdade, mas por seu sincero esforço para chegar à Verdade. Não é a posse da Verdade, mas a busca da Verdade que o leva a estender seus poderes e nela encontrar seu aperfeiçoamento constante.” (Gotthold Lessing, negrito meu). Este tem sido o objetivo principal de minhas obras ecumênicas: o diálogo ecumênico e inter-religioso em busca da verdade que nos liberta.

Nesse sentido, concordo plenamente com Allan Kardec, codificador da Doutrina Espírita, quando ele afirma (em seu livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. 19, n. 6), que “quando a fé se firma no erro, cedo ou tarde desmorona. Aquela que tem a verdade por base é a única que tem o futuro assegurado, porque nada deve temer do progresso do conhecimento, já que o verdadeiro na obscuridade também o é a plena luz (itálicos do original).

Como fruto de meus estudos, já escrevi, depois que me aposentei, as seguintes obras ecumênicas e macroecumênicas:

 

         1) Em 2005, escrevi e publiquei o livro Entrevistas com Jesus: Reflexões Ecumênicas.

         2) Em 2007, escrevi o livro Mitos Cristãos: Desafios para o Diálogo Religioso, publicado no mesmo ano pelo Grupo Espírita GEEC (Grupo Educação, Ética e Cidadania), de Divinópolis, MG.

         3) Em 2008, criei este blog, Blog do Pinheiro: Diálogo Inter-Religioso (www.jpinheirosouza.blog.uol.com.br), o qual já recebeu mais de 36 mil visitas e no qual já publiquei 325 matérias.

         4) Em 2010, escrevi e publiquei dois livros ecumênicos (Catecismo Ecumênico: 200 perguntas e respostas à luz da “fé raciocinada” e Paulinismo: a doutrina de Paulo em oposição à de Jesus).

         5) Em 2011, também escrevi e publiquei dois livros ecumênicos (Mentiras sobre Jesus: desafio para o diálogo religioso) e  o meu 6º livro ecumênico (Três Maneiras de Ver Jesus: a maneira histórica, a mítica literal e a mítica simbólica).

         6)  Em 2007, criei meu antigo site (www.pinheiro.souza.nom.br), a fim de publicar a 2ª edição revisada e ampliada de meu 1º livro ecumênico “Entrevistas com Jesus”, o qual recebeu mais de 80 mil visitas, em cerca de 5 anos (2007-2011).

         7) Neste ano de 2012, acabo de criar meu novo site (www.professorpinheiro.com), a fim de  publicar todos os meus livros ecumênicos (em PDF), vídeos de entrevistas sobre meus livros (na televisão e na Internet), mensagems de espíritos desencarnados sobre meus livros ecumênicos, bem como fornecer os nomes e endereços das casas espíritas de Fortaleza que vendem meus livros (o dinheiro não é para mim, mas para as obras de caridade das casas espíritas que vendem os meus livros).

         Em todas as minhas obras ecumênicas (e macroecumênicas) faço questão de esclarecer aos leitores que minha meta, como a de muitos outros estudiosos atuais do cristianismo, é chegar o mais perto possível do Jesus histórico, uma vez que nenhum outro personagem histórico suscita reações tão apaixonadas nem engendra conclusões tão opostas, mas, em minhas obras ecumênicas, além de refletir crítica e ecumenicamente sobre a verdadeira identidade (ou natureza) do Jesus histórico, QUE É UM PERSONAGEM INTEIRAMENTE HUMANO, dou grande valor também (sobretudo em meu 6º livro ecumênico), ao Jesus mítico, visto, não literal e exclusivamente como um DEUS-HOMEM histórico, mas como um personagem mítico que simboliza a centelha divina encarnada em todos nós.

         Para concluir esta matéria, peço aos meus amigos leitores deste blog que divulguem meu novo site (www.professorpinheiro.com) para quem desejar conhecer mais profundamente minhas ideias ecumênicas (e macroecumênicas). Quem desejar fazer comentários aos livros ou aos vídeos que publiquei em meu novo site, pode fazê-los através de meu e-mail ou de meu blog. Muito obrigado a todos.

 



Escrito por José Pinheiro de Souza às 11h22
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324 – ENTREVISTA DADA À TV CEARÁ

SOBRE OS LIVROS DO PINHEIRO

(28/12/2011)

 



Escrito por José Pinheiro de Souza às 11h40
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323–  MORREU CHRISTOPHER HITCHENS:

AUTOR DO LIVRO “DEUS NÃO É GRANDE”

 (26/12/2011)

 

O escritor ateu Christopher Hitchens, autor do livro best-seller “deus não é Grande”, faleceu nos Estados Unidos, no dia 15 deste mês de dezembro, de um câncer no esôfago, aos 62 anos de idade. Christopher Hitchens era uma das figuras mais importantes do jornalismo contemporâneo e publicou trabalhos marcantes sobre religião, fé e controle político. Hitchens deixou 17 livros, sendo a maioria deles, dedicados à crítica das religiões no mundo. Em 2007, ele foi entrevistado na Globo News, entrevista essa que ainda está disponível na Internet.

Mesmo não sendo ateu, costumo ler livros de escritores ateus e vejo que eles defendem muitas ideias semelhantes às que defendo em minhas obras ecumênicas, como comprovarei um pouco nesta matéria, com base no livro "deus não é Grande", de autoria do escritor britânico Christopher Hitchens, publicado no Brasil em 2007, pela editora Ediouro, Rio de Janeiro.

Nessa referida obra, Hitchens faz uma crítica às principais religiões com seu ateísmo afiado. Ele argumenta, por exemplo, com razão, que muitas das perversidades no mundo foram cometidas em nome da religião.

Na orelha esquerda de seu livro, ele afirma, corretamente, que “Deus não criou o homem à sua imagem e semelhança. Evidentemente foi o contrário, [...]”. Ou seja, foi o homem quem criou Deus à sua imagem e semelhança. Daí, o chamado antropomorfismo, do grego anthropos, homem, e morphé, forma – “em forma de homem”, isto é, concepções de Deus como se Ele fosse um homem. Exemplos de antropomorfismos: Deus é pessoa, Deus é pai, Deus é filho, Deus é Rei, Deus é Pastor, Deus é Senhor, Deus é Luz, Deus é juiz etc.

Nas páginas 31-32, Hitchens faz uma crítica ao suposto nascimento virginal exclusivo de Jesus, mostrando que o mIto de nascimentos virginais sempre foi comum a muitos outros personagens bem mais antigos que Jesus. Eis suas palavras:

“A origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, comprometida em casamento com José, antes que coabitassem, achou-se grávida pelo Espírito Santo.” Sim, e o semideus Perseu nasceu quando o deus Júpiter visitou a virgem Danae na forma de um banho de ouro e a engravidou. O deus Buda nasceu através de uma abertura no lado do corpo de sua mãe. Coatlicue, a serpente, pegou uma pequena bola de plumas do céu e a escondeu em seu seio, e assim o deus asteca Huitzilopochtli foi concebido. A virgem Nana pegou uma romã da árvore banhada pelo sangue do assassinado Agdistis, colocou em seu seio e se viu banhada por uma luz grandiosa, que fez com que ela desse à luz Gêngis Khan. Krishna nasceu da virgem Devaka. Hórus nasceu da virgem Ísis. Mercúrio nasceu da virgem Maia. Rômulo nasceu da virgem Rhea Silvia. (HITCHENS, Christopher, deus não é Grande, p. 31-32)

Nas páginas 58-59, Hitchens afirma:

Uma prova consistente de que a religião é criada pelo homem e é antropomórfica também pode ser encontrada no fato de que normalmente também é criada pelo “homem” no sentido de masculino. O livro sagrado em uso há mais tempo – a Torá – ordena ao praticante agradecer ao seu criador todos os dias por não ter nascido mulher. [...] O Velho Testamento, como os cristãos o chamam com condescendência, apresenta a mulher como sendo clonada do homem para seu uso e conforto. O Novo Testamento apresenta São Paulo expressando temor e desprezo pelas mulheres. (HITCHENS, p. 58-59)

Na página 107, Hitchens mostra contradições no Novo Testamento:

Mateus e Lucas não chegam a um acordo sobre o Nascimento Virginal ou a genealogia de Jesus. Eles se contradizem completamente na “Fuga para o Egito”, com Mateus dizendo que José foi “avisado em um sonho” a fugir imediatamente e Lucas dizendo que todos os três permanecessem em Belém até a “purificação de Maria de acordo com as leis de Moisés, o que demoraria quarenta dias, e então retornaram a Nazaré através de Jerusalém”. (HITCHENS, p. 107)

Na página 114, Hitchens afirma, com razão, que “os Evangelhos quase certamente não são verdade literal” (HITCHENS, p. 114).

No Capítulo 15 (páginas 189-197), Hitchens aborda criticamente as seguintes doutrinas religiosas absurdas: 1) a doutrina do sacrifício de sangue; 2) a doutrina da expiação; e 3) a doutrina do “bode expiatório”.

Leiamos um pouco sobre o que diz Hitchens sobre essas três doutrinas:

A)   A doutrina do sacrifício de sangue:

Antes do surgimento do monoteísmo, os altares da sociedade primitiva cheiravam sangue, muito dele humano, sendo parte de bebês. A sede disso, pelo menos em forma animal, ainda está conosco. Judeus devotos estão neste momento tentando criar a imaculadamente pura “novilha vermelha” mencionada no Livro dos Números, capítulo 19, que, se sacrificada mais de uma vez de acordo com o ritual exato e meticuloso, irá produzir a volta dos sacrifícios animais no Terceiro Templo e acelerar o final dos tempos e o advento do Messias (p. 189-190).

B)   A doutrina da expiação:

Sacrifícios humanos anteriores, como os dos astecas, e outras cerimônias que não causam repugnância eram comum no mundo antigo e assumiram a forma de assassinato propiciatório. Supunha-se que a oferenda de uma virgem, um bebê ou um prisioneiro aplacava os deuses: mais uma vez, não é um bom anúncio das propriedades morais da religião (p. 192).

C)   A doutrina do “bode expiatório”:

Não podemos, como os apavorados camponeses da antiguidade, esperar lançar todos os nossos crimes em um cabrito e então enviar o infeliz animal para o deserto. Nossa linguagem cotidiana é bastante clara para ver o “bode expiatório” com desprezo. E a religião é bode expiatório escrito em maiúsculas (p. 194).

Vou concluir esta matéria, com esta citação feita por Hitchens (cap. 19, p. 253):

“O verdadeiro valor de um homem não é determinado por sua posse, suposta ou real, da Verdade, mas por seu sincero esforço para chegar à Verdade. Não é a posse da Verdade, mas a busca da Verdade que o leva a estender seus poderes e nela encontrar seu aperfeiçoamento constante.” (Gotthold Lessing, apud HITCHENS, p. 253) (negrito meu). Este tem sido o objetivo principal de minhas obras ecumênicas: o diálogo inter-religioso em busca da verdade.

 

 

 



Escrito por José Pinheiro de Souza às 11h13
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322 - PINHEIRO E SEU PIANO:

HOMENAGEM A JESUS

(25/12/2011)

 



Escrito por José Pinheiro de Souza às 12h58
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321–  O MITO DO NATAL

 (19/12/2011)

 

 

Dentro de sete dias, a cristandade estará celebrando sua maior data festiva, 25 de dezembro, a data do suposto NASCIMENTO MIRACULOSO DE DEUS, em Belém de Judá, na pessoa de Jesus (do “Jesus mítico”), dogmatizado literalmente pelo cristianismo paulinista como O ÚNICO DEUS ENCARNADO, O ÚNICO FILHO DE DEUS FEITO HOMEM, NASCIDO DE UM PARTO VIRGINAL, A SEGUNDA PESSOA DA SANTÍSSIMA TRINDADE (DEUS O FILHO), O ÚNICO VERDADEIRO DEUS E VERDADEIRO HOMEM, O ÚNICO SALVADOR DA HUMANIDADE (ATRAVÉS DE SUA MORTE E RESSURREIÇÃO), O ÚNICO MESSIAS, O ÚNICO SENHOR, O ÚNICO CAMINHO, A ÚNICA VERDADE, O ÚNICO MEDIADOR ENTRE DEUS E OS HOMENS.

Conforme argumento constantemente em meus livros ecumênicos e neste blog, respeito essa crença dogmática, honesta e sincera, da grande maioria dos cristãos, mas defendo, com muitos outros estudiosos críticos do cristianismo, que a crença no NASCIMENTO MIRACULOSO DE DEUS, na pessoa divina de Jesus, não é uma verdade histórica, mas mítica. Em outras palavras, segundo nosso ponto de vista, o nascimento de Jesus, de um parto miraculoso, como Filho de Deus no sentido natural, como Deus o Filho, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, é uma verdade mítica, e não histórica. Para nós, Jesus nasceu de um parto normal (como qualquer um de nós).

        A verdadeira história natalina de Jesus não é o relato lendário, supostamente histórico, narrado por Mateus e Lucas nos dois primeiros capítulos de seus Evangelhos, literalmente interpretados pela grande maioria dos cristãos como fatos históricos reais e exclusivos sobre Jesus de Nazaré.

Assim, todos os ritos e práticas das igrejas na época do Natal só são realmente eficazes e significativos se o nascimento de “Jesus, o Salvador” for entendido como um símbolo do glorioso nascimento “imaculado” dentro de nós (HARPUR, Tom. Transformando Água em Vinho: uma visão profunda e transformadora sobre os Evangelhos. São Paulo: Pensamento, 2009, p. 43).

        No sentido simbólico de ver Jesus, como esclareço em meu 6º livro ecumênico (“Três Maneiras de Ver Jesus: a maneira histórica, a mítica literal e a mítica simbólica”), o mito do Natal de Jesus, ou seja, de seu nascimento divino, no correto dizer do escritor e ex-pastor anglicano Tom Harpur, “é um relato supremo do mito central de todas as religiões – a encarnação do divino na carne humana” (HARPUR, Tom. O Cristo dos Pagãos: a sabedoria antiga  e o significado espiritual da Bíblia e da história de Jesus. São Paulo: Pensamento, 2008, p. 151).

         Mais explicitamente, o mito do natal de Jesus, simbolicamente interpretado, significa a encarnação da Centelha Divina em cada um de nós, e não somente a encarnação histórica, literal e exclusivista de Deus na pessoa de Jesus de Nazaré.

        Como sabemos, Jesus é literalmente interpretado pela grande maioria dos cristãos, como o único Deus encarnado na história humana, o que não é verdade, mas mentira sobre Jesus, uma vez que cada um de nós é também Deus encarnado, não no nosso ego, ou seja, no nosso eu inferior, mas na profundeza do nosso ser, como bem expressou o renomado escritor Joseph Campbell, uma das maiores autoridades no campo da mitologia no século XX, em sua monumental obra “O Poder do Mito”, já com 28 edições.

         Eis suas palavras esclarecedoras sobre em que sentido podemos afirmar que “todos somos Deus”, ou que “Eu sou Deus”:

Veja, há dois modos de pensar “Eu sou Deus”. Se você pensa: “Aqui, em minha presença física e em meu caráter temporal, eu sou Deus”, então você está louco e provocou um curto-circuito na experiência. Você é Deus não em seu ego, mas em seu mais profundo ser, onde você é uno com o transcendente não dual (CAMPBELL, Joseph. O Poder do Mito, com Bill Moyers. 28 ed. São Paulo: Palas Athena, 2011, p. 221) (negrito meu).

         Concordo plenamente com esta visão gnóstica de Joseph Campbell, pois é este Deus transcendente, não dual, não pessoal e invisível (o chamado Cristo interno, ou Cristo cósmico) que nos sustenta: “O tema básico de toda a mitologia é o de que existe um plano invisível sustentando o visível” (CAMPBELL, 2011, p. 76) (negrito meu).

         Ora, se o mito central de todas as religiões é a encarnação do divino na carne humana, é um erro superexclusivista crer que somente Jesus é Deus encarnado, uma vez que cada um de nós é igualmente Deus encarnado, não no nosso ego, mas na profundeza do nosso ser.   

        Essa interpretação simbólica e pluralista da encarnação divina em cada um de nós tem o grande valor espiritual de nos reconhecermos todos como irmãos e irmãs e de nos amarmos todos como membros de uma só família. Como afirma Tom Harpur,

a doutrina da encarnação fornece os elementos para nos reconhecermos universalmente como irmãos e irmãs em Deus. [...] Se você reconhece a presença divina em outra pessoa, não poderá fazer mal a ela ou permitir que o seu irmão seja injustiçado (HARPUR, 2008, p. 188, 192) (negrito meu).

        Em suma, não somente Jesus é Deus encarnado, mas todos nós também o somos, não no nosso ego (ou seja, no nosso eu inferior), mas no nosso mais profundo ser, como bem expressou Joseph Campbell.

Para concluir esta matéria, reafirmo que, no sentido simbólico de ver Jesus, o mito de seu Natal, ou seja, de seu nascimento divino, “é um relato supremo do mito central de todas as religiões – a encarnação do divino na carne humana” (HARPUR,  2008, p. 151). Ou seja, o mito do natal de Jesus, simbolicamente interpretado, significa a encarnação da Centelha Divina em cada um de nós, uma vez que todos somos Deus encarnado, não no nosso ego, mas em nosso mais profundo ser, onde somos uno com o transcendente não dual (cf. CAMPBELL, 2011, p. 221) (negrito meu).

 

UM FELIZ NATAL PARA TODOS!

 



Escrito por José Pinheiro de Souza às 01h19
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320 – CASAS ESPÍRITAS DE FORTALEZA

QUE VENDEM OS LIVROS DO PINHEIRO

 (10/12/2011)

 

 

Todos os meus livros ecumênicos podem ser vendidos nas seguintes casas espíritas de Fortaleza, nas quais tenho ministrado diversas palestras sobre meus livros (todo o dinheiro arrecadado é para as obras de caridade dessas casas espíritas):

 

1)    CENTRO ESPÍRITA SIMPLES COMO A FÉ, Rua J. da Penha, 663 (quase esquina com a Rua Padre Valdevino), Centro, Fortaleza-CE.

2)    CENTRO ESPÍRITA A CAMINHO DA LUZ, Rua Assunção, 669 (na Praça da Polícia), Centro, Fortaleza-CE.

3)    GRUPO ESPÍRITA AUXILIADORES DOS POBRES, Av. Tristão Gonçalves, 1695, Fortaleza-CE.

4)    CENTRO ESPÍRITA CAMINHEIROS DA LUZ, Av. Humberto Monte, 1929, Parquelândia, Fortaleza-CE.

5)    CENTRO ESPÍRITA CASA DO CAMINHO, Rua Mombaça, 157, Aldeota, Fortaleza-CE.

6)    CENTRO ESPÍRITA JOANA D’ARC, Rua Romeu Martins, Itaoca, Fortaleza-CE.

7)    GRUPO ESPÍRITA PAZ E BEM, Ed. Torre Empresarial Quixadá, Av. Barão de Studart, 2360, Fortaleza-CE.

8)    CENTRO ESPÍRITA ANTÔNIO ALVES DE LINHARES, Av. Prof. Gomes de Matos, 955, Montese, Fortaleza-CE.

9)    CENTRO ESPÍRITA ISMAEL, CARIDADE E LUZ, Rua Boa Vista, 814, Mucuripe, Fortaleza-CE.

10)               LIVRARIA SINAL VERDE (da Federação Espírita Cearense), Rua Princesa Isabel, 255, Centro, Fortaleza-CE.

 

OBRAS ECUMÊNICAS DE AUTORIA DO PROF. PINHEIRO:

 

       Sou professor universitário, aposentado da Universidade Estadual do Ceará e da Universidade Federal do Ceará, PhD em Linguística e Mestre no Ensino de Inglês como Língua Estrangeira pela Universidade de Illinois (USA).

      Até meus 57 anos de idade, fui católico convicto, tendo estudado para padre no Seminário Salesiano, durante 12 anos. Atualmente, sou espiritualista reencarnacionista ecumênico, simpatizante do espiritismo kardecista. Depois que me aposentei, procurei uma maneira de ocupar bem o meu tempo, estudando as religiões, com o objetivo principal de poder escrever algumas obras ecumênicas (e macroecumênicas), para incentivar a existência do cada vez mais necessário diálogo inter-religioso, em busca da verdade que nos liberta (“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”).

     Como fruto de meus estudos, já escrevi as seguintes obras ecumênicas (e macroecumênicas):

1) Em 2005, escrevi e publiquei o livro Entrevistas com Jesus: Reflexões Ecumênicas.

2) Em 2007, escrevi o livro Mitos Cristãos: Desafios para o Diálogo Religioso, publicado no mesmo ano pelo Grupo Espírita GEEC (Grupo Educação, Ética e Cidadania), de Divinópolis, MG.

3) Em 2008, criei o chamado Blog do Pinheiro: Diálogo Inter-Religioso (www.jpinheirosouza.blog.uol.com.br), o qual já recebeu mais de 35 mil visitas e no qual já publiquei 320 matérias.

4) Em 2010, escrevi e publiquei dois livros (Catecismo Ecumênico: 200 perguntas e respostas à luz da “fé raciocinada” e Paulinismo: a doutrina de Paulo em oposição à de Jesus).

5) Neste ano de 2011 também já escrevi e publiquei dois livros (Mentiras sobre Jesus: desafio para o diálogo religioso) e meu 6º livro ecumênico (Três Maneiras de Ver Jesus: a maneira histórica, a mítica literal e a mítica simbólica).

6) No inicio do proximo ano (fevereiro ou março de 2012), estarei publicando o livro Entrevistas com Jesus: Reflexões Ecumênicas (400 perguntas e respostas), 3ª edição revista.

7) Em breve, estarei inaugurando um site na Internet para publicar todos os meus livros para todo o mundo.

 

Em todas as minhas obras ecumênicas (e macroecumênicas) faço questão de esclarecer aos leitores que minha meta, como a de muitos outros estudiosos atuais do cristianismo, é “chegar o mais perto possível do Jesus histórico [...], [uma vez que] nenhum outro personagem histórico suscita reações tão apaixonadas nem engendra conclusões tão opostas” (TABOR, 2006, p. 330), mas, no meu 6º livro ecumênico, além de refletir crítica e ecumenicamente sobre a verdadeira identidade (ou natureza) do Jesus histórico, QUE É UM PERSONAGEM INTEIRAMENTE HUMANO, dou grande valor também (sobretudo no Capítulo 4) ao Jesus mítico, visto, não literal e exclusivamente como um DEUS-HOMEM histórico, mas como um personagem mítico que simboliza a centelha divina encarnada em todos nós.

 

CONVITECONVIDO A TODOS PARA OUVIREM MINHA ENTREVISTA SOBRE MEUS LIVROS ECUMÊNICOS, HOJE, NA TV-CEARÁ, CANAL 5, ÀS 19:30, NO PROGRAMA PAPO LITERÁRIO, CONDUZIDO PELA JORNALISTA MÔNICA SILVEIRA. ESSE MESMO PROGRAMA PODERÁ SER VISTO E OUVIDO, POSTERIORMENTE, NUM VÍDEO QUE SERÁ POSTADO NO YOUTUBE DA INTERNET (QUANDO ELE ESTIVER NA INTERNET, COMUNICAREI A TODOS OS LEITORES DESTE BLOG COMO ACESSÁ-LO). CONCLUINDO ESTA MATÉRIA, NÃO POSSO DEIXAR DE AGRADECER À TV-CEARÁ, PARTICULARMENTE NAS PESSOAS DA JORNALISTA MÔNICA SILVEIRA E DO SERESTEIRO FRED BENEVIDES, “UM SERESTEIRO DENTRO DA NOITE”, O QUAL VEM DIVULGANDO MEUS LIVROS EM SEU PROGRAMA NA TV-CEARÁ (VER MATÉRIA Nº 311, PUBLICADA NESTE BLOG NO DIA 11/10/2011). FOI ATRAVÉS DO MESMO FRED BENEVIDES QUE A TV-CEARÁ ME CONVIDOU PARA SER ENTREVISTADO HOJE NO PROGRAMA PAPO LITERÁRIO DA JORNALISTA MÔNICA SILVEIRA. A ENTREVISTA SERÁ REPRISADA DUAS VEZES: TERÇA-FEIRA, DIA 13 DE DEZEMBRO, ÀS 19 HORAS E QUARTA-FEIRA, DIA 14 DE DEZEMBRO, ÀS 14 HORAS.



Escrito por José Pinheiro de Souza às 01h18
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319 – EM QUE SENTIDO KARDEC AFIRMA QUE

O ESPIRITISMO NÃO É UMA “RELIGIÃO”?

 (5/12/2011)

 

O espiritismo, para Kardec, não é uma “religião” no sentido comum e institucional do termo, porquanto não tem sacerdotes, sacramentos, rituais, cultos aos santos etc., mas é “religião”, sim, no sentido filosófico do termo, como ele mesmo afirmou na Revista Espírita, 1864, p. 203, e 1868, pp. 351 a 360. Leiamos suas próprias palavras:

 

Uma religião, em sua acepção nata e verdadeira, é um laço que religa os homens em uma comunidade de sentimentos, de princípios e de crenças. No sentido filosófico, o Espiritismo é uma religião, e nós nos glorificamos por isso, porque é a doutrina que funda os elos da fraternidade e da comunhão de pensamentos, não sobre uma simples convenção, mas sobre bases mais sólidas: as mesmas leis da natureza (negrito meu).

 

 

Leiamos agora a resposta do próprio Kardec para responder à pergunta: O ESPIRITISMO É UMA RELIGIÃO?, título de seu discurso, proferido perante a Sociedade Espírita de Paris, em 1º de novembro de 1868, cinco meses antes de sua morte. Eis sua resposta:

 

Por que, então, declaramos que o Espiritismo não é uma religião? Porque não há uma palavra para exprimir duas ideias diferentes, e que, na opinião geral, a palavra religião é inseparável da de culto, desperta exclusivamente uma ideia de forma, que o Espiritismo não tem. Se o Espiritismo se dissesse uma religião, o público não veria aí senão uma nova edição, uma variante, se quiser, dos princípios absolutos em matéria de fé, uma casta sacerdotal com seu cortejo de hierarquias, de cerimônias e de privilégios, não o separaria das ideias de misticismo e dos abusos contra os quais tantas vezes se levantou a opinião pública. Não tendo o Espiritismo nenhum dos caracteres de uma religião, na acepção usual do vocábulo, não podia nem devia enfeitar-se com um título sobre cujo valor inevitavelmente se teria equivocado. Eis por que simplesmente se diz: doutrina filosófica e moral. (Negrito meu)

 

Por outro lado, como vimos na matéria nº 318 (O ESPIRITISMO RELIGIOSO), Kardec faz, em várias passagens de suas obras, diversas afirmações sobre o caráter religioso do espiritismo, não no sentido formal e dogmático do termo, mas no sentido de ser o espiritismo o “cristianismo redivivo”, a religião autenticamente ensinada e vivida por Jesus, um código de moral universal resumido na lei do amor, também chamado por Kardec de “código divino”, “o terreno onde todos os cultos podem se reencontrar, a bandeira sob a qual todos podem se abrigar, quaisquer que sejam suas crenças, porque jamais foi objeto de disputas religiosas, sempre e por toda parte levantadas pelas questões de dogma” (KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Introdução, 1º parágrafo).

Na matéria n° 318, vimos, com o espírita Divaldo Pereira Franco, várias afirmações de Kardec a respeito do aspecto religioso do espiritismo, tais como:

 

"A ciência e a religião são as duas alavancas da inteligência humana: uma revela as leis do mundo material e a outra as do mundo moral. Tendo, no entanto, essas leis o mesmo princípio, que é Deus, não podem contradizer-se" (KARDEC, O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. I, nº 8). E, logo depois, no Capítulo XXIV, item 16, da referida obra, Kardec volta a dizer: “Pois que a doutrina que professam (os adeptos do Espiritismo) mais não é do que o desenvolvimento e a aplicação da do Evangelho, também a eles se dirigem as palavras do Cristo.” A seguir, no Capítulo XV, Itens 8 e 9 considera: “Fora da caridade não há salvação – assenta num princípio universal e abre a todos os filhos de Deus acesso à suprema felicidade (...) consagra o princípio da igualdade perante Deus e da liberdade de consciência (...) os homens são irmãos e, qualquer que seja a maneira por que adorem o Criador, eles se estendem as mãos e oram uns pelos outros. [..] Anteriormente, afirmara o mestre, na Questão número 24 de “O Livro dos Médiuns”: O Espiritismo repousa sobre as bases fundamentais da religião...”, naturalmente confirmando o que se encontra exposto em “O Livro dos Espíritos”, na conclusão V: “O Espiritismo é forte porque assenta sobre as próprias bases da Religião: Deus, a alma, as penas e as recompensas futuras; concluindo: [...] “O Espiritismo não traz moral diferente da de Jesus” (Idem, Conclusão VIII). [...] Em “Obras Póstumas” (p. 235), confirma: “O Espiritismo é uma doutrina filosófica de efeitos religiosos, como qualquer filosofia espiritualista, pelo que forçosamente vai ter às bases fundamentais de todas as religiões: Deus, a alma e a vida futura. Mas não é uma religião constituída, visto que não tem culto, nem rito, nem templos e que, entre seus adeptos, nenhum tomou, nem recebeu o título de sacerdote ou de sumo sacerdote.” [...] “Como vemos, a tese religiosa é fundamental no Espiritismo. Negar a existência da Religião Espírita é negar a lei de adoração e suas manifestações objetivas em todo o Mundo, em todas as épocas. Negar a existência de uma teologia Espírita é negar auxílio, o indispensável auxílio do Espírito de Verdade aos teólogos atormentados do nosso tempo.” [...] “O Espiritismo é a Religião do amor”. (Divaldo Pereira Franco, site: http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/religiao/aspecto-religioso:html) (negritos meus)

 

Kardec, no seu livro "A Gênese", faz a seguinte afirmação:

A unidade de crença será o laço mais forte, o fundamento mais sólido da fraternidade universal, obstada, desde todos os tempos, pelos antagonismos religiosos que dividem os povos e as famílias, que fazem sejam uns, os dissidentes, vistos pelos outros como inimigos a serem evitados, combatidos, exterminados. (KARDEC, A. “A Gênese", cap. 18, n. 18-20)

 

Concluindo a presente matéria, reafirmo que Kardec declara que o espiritismo não é uma religião no sentido formal, uma vez que não tem cultos, rituais, sacerdotes etc., mas é "religião", sim, no sentido filosófico de tentar viver uma moral universal, resumida na lei do amor (FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO!), a única forma de religiosidade (ou melhor, de espiritualidade) capaz de unir todas as religiões e todas as pessoas deste planeta.

 

 

 



Escrito por José Pinheiro de Souza às 07h36
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318 –ETIMOLOGIA DO TERMO “RELIGIÃO”

(28/11/2011)

 

 

A verdadeira etimologia do termo “religião” foi uma das primeiras matérias abordadas neste blog (matéria nº 10, publicada primeiramente no dia 4/4/2008), mas decidi republicá-la, hoje, uma vez que esta matéria ajuda a comprovar a tese polêmica que venho defendendo há algumas semanas neste blog de que o espiritismo é também uma “religião”, segundo a própria etimologia dessa palavra.  

Vou demonstrar nesta matéria que o termo “religião” não vem do verbo latino “religare” (“ligar de volta ou reatar”), mas do verbo latino “relegere” (“reler”, “reinterpretar”).

Convenci-me de que o termo “religião” não vem de “religare”, mas de “relegere”, desde que assisti a uma palestra do monge e famoso escritor budista Ricardo Mário Gonçalves, principal comentarista das matérias de meu blog, numa palestra ministrada por ele, no 14º Encontro para a Nova Consciência, realizado em Campina Grande, Paraíba, de 4 a 8 de fevereiro de 2005, do qual participei.

 Ricardo Mário Gonçalves é uma pessoa muito instruída em assuntos religiosos; ele é "professor aposentado do departamento de História da Universidade de São Paulo onde lecionou, entre outras matérias, História Antiga e História das Religiões. É também missionário de uma Ordem Budista japonesa, a Verdadeira Escola da Terra Pura (Jodo Shinshû). É ainda um profundo estudioso das religiões da Antiguidade, especialmente as da Grécia, Roma e Egito, pelas quais nutre um profundo apreço" (dados fornecidos numa matéria que esse escritor me enviou).

O erro da falsa etimologia do termo “religião” surgiu com Lactâncio, pensador cristão do século III de nossa era, segundo o qual o termo “religião” vem de religare, “ligar de volta ou reatar”. Ou seja, segundo essa definição, “religião” significa, etimologicamente, “a religação do homem com Deus”. Ora, tornar a unir o homem com Deus pressupõe que, em algum momento, o homem já esteve unido a Ele, e hoje não está mais. Esse pressuposto baseia-se no mito judaico-cristão da queda de Adão e no mito cristão do Pecado Original. Mais explicitamente, segundo essa explicação, antes da queda de Adão e do Pecado Original, o homem estava unido a Deus , mas, depois desses episódios míticos, o homem ficou radicalmente separado de Deus, precisando, então, “religar-se” a Ele através da “religião” cristã, supostamente fundada pelo próprio Deus encarnado na pessoa do Jesus mítico. Como nem todos os seres humanos são cristãos, essa explicação de Lactâncio não é universal. Por isso mesmo, ela é rejeitada por membros de outras religiões.

O termo “religião” não vem de re-ligio(ne), supostamente derivado do verbo latino religare (= “religar”), mas de re-ligio(ne), derivado do verbo latino relegere (= “reler”, “reobservar”, “reinterpretar”). O erro de Lactâncio foi afirmar que “religião” vem de “religio(ne)” de religare, pois o nome derivado do verbo religare é “religatio(ne)” (“religação”), e não religio(ne) (“religião”), o qual só pode ser derivado do verbo latino relegere (‘reler”, “reinterpretar”).

A etimologia correta de “religião” já era fornecida pelo escritor romano Cícero, por volta do ano 40 a.C., em sua obra De Natura Deorum, em que ele afirmava, corretamente, que o termo “religião” é derivado do verbo latino “relegere” (“reler”, “reinterpretar”). Sendo assim, “religião” significa “releitura”, “reinterpretação” das verdades religiosas.

A palavra “religião”, repito, não significa, etimologicamente, a religação do homem com Deus, mas a “releitura” (a “reinterpretação”) das verdades religiosas. “Reler” (“reinterpretar”) a realidade é desconstruir todas as desilusões, todas as mentiras, todos os erros religiosos, filosóficos e teológicos, a fim de se conhecer a verdade sobre nossa origem, nossa natureza, nosso destino etc.

Por conseguinte, no sentido etimológico, todas as religiões (incluindo obviamente o espiritismo religioso) procuram “reler” (“reinterpretar”) as realidades espirituais, isto é, procuram desconstruir todas as desilusões, todas as mentiras, todos os erros religiosos, filosóficos e teológicos, a fim de se conhecer a verdade verdadeira sobre nossa origem, nossa natureza, nosso destino etc. O próprio Allan Kardec afirma que o espiritismo “elucida os pontos obscuros do ensino cristão” (KARDEC, A. A Gênese. Rio de Janeiro: FEB, 2007, p. 43).

Como vimos na matéria nº 304 – A CONCEPÇÃO ESPÍRITA DE ‘DEUS’– publicada neste blog no dia 6/9/2011, as primeiras 16 perguntas de O Livro dos Espíritos são precisamente sobre a natureza de Deus. A primeira pergunta (“Que é Deus?”) foi respondida assim: “Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.” Essa pergunta “Que é Deus?”, e não “Quem é Deus?”revela que o espiritismo não vê ‘Deus’ como pessoa (e muito menos ainda como três pessoas). No dizer do escritor espírita Hermínio C. Miranda, “a pergunta formulada por Kardec despersonaliza a divindade, ao indagar que é Deus e não quem é Deus” (MIRANDA, 2002, p. 100) (negrito meu). Ou seja, o ‘Deus’ dos espíritas não é o deus antropomórfico da maioria das religiões.

A pergunta nº 14 foi sobre o panteísmo (“Deus é um ser distinto, ou seria, segundo a opinião de alguns, o resultante de todas as forças e de todas as inteligências do Universo reunidas?”), a qual foi respondida negativamente: – Se o fora assim, Deus não existiria, porque seria o efeito e não a causa; ele não pode ser ao mesmo tempo uma e outra coisa.

Ao comentar a resposta da pergunta nº 16, em que os Espíritos negam a doutrina panteísta, segundo a qual tudo o que existe, inclusive o homem, é parte da divindade, Kardec conclui:

 

Ele [o panteísmo] confunde o criador com a criatura, absolutamente como se se quisesse que uma máquina engenhosa fosse uma parte integrante do mecânico que a concebeu. A inteligência de Deus se revela em suas obras, como a de um pintor em seu quadro; mas as obras de Deus não são mais o próprio Deus que o quadro não é o pintor que o concebeu e executou.

 

Concluindo a presente matéria, reafirmo que o termo “religião” não vem do verbo latino “religare” (“religar”), mas vem do verbo latino “relegere” (‘reler”, “reinterpretar”) e, nesse sentido etimológico de “religião”, defendo a tese de que o espiritismo religioso e todas as outras religiões deste planeta procuram “reler” (“reinterpretar”) as realidades espirituais. Ou seja, todas procuram desconstruir as desilusões, as mentiras, os erros religiosos, filosóficos e teológicos, a fim de conhecermos a verdade verdadeira sobre Deus, nossa origem, nossa natureza, nosso destino, as causas de nossos sofrimentos etc. Cada religião acha que está com a verdade em sua maneira de interpretar essas verdades religiosas e que todas as outras religiões estão com as mentiras. Daí a necessidade do diálogo inter-religioso, aberto e sincero, à luz da “fé raciocinada”, para se saber o que é verdade e o que é mentira em assuntos religiosos ou para se saber qual a religião que está mais próxima da verdade.

 

PS.: Hoje, estarei sendo entrevistado na TV Ceará, às 19 horas, no programa PAPO LITERÁRIO, sobre meus livros ecumênicos.



Escrito por José Pinheiro de Souza às 07h59
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317 – O ASPECTO RELIGIOSO DO ESPIRITISMO

NÃO DIFERE DO “CRISTIANISMO DE JESUS”

(21/11/2011)

 

  Nas “orelhas” de todos os meus livros ecumênicos, esclareço aos meus leitores que, já com a idade de 57 anos, uma força misteriosa me fez comprar as obras espíritas de Allan Kardec, após a leitura das quais sofri uma verdadeira “revolução copernicana” em meu modo de entender o cristianismo.

 Como parte dessa reviravolta em minha fé católica, convenci-me de que é preciso distinguir duas modalidades antagônicas de cristianismo: 1) o cristianismo de Jesus (ou de Cristo), um código de moral universal, resumido na lei do amor, pluralista, unificador, no dizer de Kardec, “o terreno onde todos os cultos podem se reencontrar, a bandeira sob a qual todos podem se abrigar, quaisquer que sejam suas crenças, porque jamais foi objeto de disputas religiosas, sempre e por toda parte levantadas pelas questões de dogma” (KARDEC, Allan. “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Introdução, 1º  parágrafo), e 2) o cristianismo dos cristãos, caracterizado sobretudo por um conjunto de dogmas (ou de mitos) exclusivistas e divisionistas, fragmentado em centenas (para não dizer “milhares”) de igrejas e seitas, objeto de inúmeras controvérsias e de numerosos conflitos ao longo de sua história.

  Diante desses dois cristianismos, decidi tentar seguir, a partir de então, somente o “cristianismo de Jesus” (do “Jesus histórico”, e não do “Jesus mítico”), procurando ser “cristão” apenas no sentido definido por ele mesmo, como aquele que ama o próximo: “Nisso conhecerão todos que sois meus discípulos [isto é, que sois meus seguidores, “cristãos”], se tiverdes amor uns pelos outros” (João 13,35).

  Como o espiritismo, em seu aspecto religioso, tenta seguir somente o “cristianismo de Cristo” (definindo-se como o “cristianismo redivivo”), confesso que me tornei “simpatizante” dessa doutrina e foi logicamente fundamentado nela, que escrevi a maior parte de meus livros ecumênicos.

  Desde 1995, venho estudando não somente o espiritismo, mas também várias outras religiões, sem ter me filiado, contudo, a qualquer uma delas em particular.

  Em suma, hoje, não estou mais preocupado em ser adepto de nenhuma instituição religiosa, mas somente em ser praticante da verdadeira religião universal – a vivência do amor-caridade (o “cristianismo do Jesus histórico”, idêntico ao cristianismo do “espiritismo religioso”), a única forma de religiosidade, ou melhor, de espiritualidade, capaz de realmente unir todas as religiões e todas as pessoas deste planeta.

   Nunca afirmo em minhas obras ecumênicas que o “Jesus (ou Cristo) histórico” tenha fundado uma nova religião (ou igreja), mas que ele viveu e ensinou (como muitos outros espíritos evoluídos), a prática da caridade. E o espiritismo religioso tenta seguir exatamente esse cristianismo do Jesus histórico, pregando que “FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO”, ou seja, fora do amor-caridade, não há libertação nem evolução espiritual.

  Não é o “cristianismo do Jesus mítico” (o chamado “cristianismo dos cristãos”), fundamentado mais em dogmas e mitos religiosos do que na prática da caridade, dividido em centenas (para não dizer “milhares”) de igrejas e seitas, que nos “salva”, ou melhor, que nos liberta e nos faz evoluir espiritualmente, mas unicamente o “cristianismo do Jesus histórico”, fundamentado, não em crenças míticas ou em dogmas religiosos divisionistas e exclusvistas, mas na vivência do amor-caridade.

          Repito que, hoje, não estou mais preocupado em ser adepto de nenhuma religião, no sentido dogmático do termo, mas somente em tentar ser praticante da chamada “religião do amor” – o “cristianismo de Jesus” (o cristianismo que une), em contraposição ao “cristianismo dos cristãos” (o cristianismo que divide).

          Repito também que o “cristianismo de Jesus” (do “Jesus histórico”) consiste, essencialmente, num código de moral (ou de ética) universal, resumido na lei do amor, a única forma de religiosidade, ou melhor, de espiritualidade, que tem condições de realmente unir a cristandade e a humanidade, enquanto o “cristianismo dos cristãos” consiste, essencialmente, num conjunto de dogmas exclusivistas, que sempre dividiram (e continuam dividindo) a cristandade e a humanidade.

          Em virtude da oposição entre esses dois cristianismos, minhas obras ecumênicas giram quase todas em torno do debate ou do diálogo entre essas duas modalidades antagônicas de cristianismo, defendendo, obviamente, com os espíritas religiosos (e outros espiritualistas), que o cristianismo ensinado por Jesus (também chamado de o “cristianismo de Cristo)” é a única forma de religiosidade (ou de espiritualidade) capaz de unir todas as pessoas e todas as crenças deste planeta.

          Nunca me cansarei de repetir que, sem a prática do código de moral (ou de ética) universal, também denominado por Allan Kardec de “código divino” (KARDEC, Allan. “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Introdução, 1º parágrafo), jamais poderá haver união e paz na cristandade e na humanidade. Emprego os termos "moral" e "ética", em minhas obras ecumênicas, no mesmo sentido de um conjunto de princípios universais de boa conduta humana.

          O objetivo principal de todos os meus livros ecumênicos é fazer apologia da chamada religião do amor-caridade, a religião verdadeiramente ensinada e vivida pelo “Jesus (ou Cristo) histórico”: “Isto vos ordeno: amai-vos uns aos outros” (João 15,17). “Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros” (João 13,34). “Amarás ao Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu sentimento e com toda a tua força. Este é o primeiro e mais sublime preceito, porém é igual a este: amarás o teu próximo como a ti mesmo” ( Lucas 10,27; Mateus 22,37) (negritos meus). Esta foi a verdadeira religião ensinada e vivida pelo “Jesus (ou Cristo) histórico”. Uma religião essencialmente moral, moral religiosa, moral universal, a qual foi substituída posteriormente (no “cristianismo dos cristãos”) por dogmas e mitos exclusivistas e divisionistas.

           Para concluir esta matéria, reafirmo que o espiritismo, em seu aspecto religioso, não difere em nada do “cristianismo do Jesus (ou Cristo) histórico” (o “cristianismo das origens”), um código “divino” de moral universal, resumido na lei do amor. Somente quem o praticar poderá libertar-se e evoluir espiritualmente em múltiplas (re)encarnações. E todos que praticarem esse “código divino” de moral universal ensinado e vivido pelo “Jesus (ou Cristo) histórico” podem chamar-se “cristãos”, independentemente de estarem ou não filiados a uma determinada religião ou seita.





Escrito por José Pinheiro de Souza às 10h24
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316 – O LEMA PLURALISTA DA RELIGIÃO ESPÍRITA:

FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO

(14/11/2011)

 

 

Embora este tema já tenha sido abordado neste blog, em parte, na matéria nº 177 (publicada no dia 20 de julho de 2009), resolvi republicá-lo, hoje, uma vez que trata do lema pluralista (e não exclusivista) do espiritismo religioso: FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO!

 

1)    O QUE É “CARIDADE”?

 “Caridade” é amor ao próximo, sem buscar qualquer tipo de recompensa. Caridade é o ato de ajudar uma pessoa em estado de necessidade. Caridade é uma virtude pela qual amamos a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Das três virtudes teologais cristãs (fé, esperança e caridade) a mais importante de todas é a caridade. Um exemplo bíblico típico da prática da caridade é a PARÁBOLA DO BOM SAMARITANO (Lucas 10, 25-37).

 

2)    O QUE É “SALVAÇÃO” NO CONTEXTO BÍBLICO?

“Salvação”, no contexto bíblico do Antigo Testamento, significa libertação do povo de Deus, de sua escravidão no Egito, de seu exílio na Babilônia, de suas guerras, de suas opressões e de seus sofrimentos. O Deus Javé é o Salvador dos judeus. No contexto bíblico do Novo Testamento, o termo “salvação” passou a significar a redenção de nossos pecados pelo sangue de Cristo derramado na cruz. Jesus é visto pelos cristãos exclusivistas como o único Salvador.

 

3)    O QUE SIGNIFICA “SALVAÇÃO” NO ESPIRITISMO?

“Salvação”, no espiritismo, significa “libertação” e “evolução espiritual” do ser humano, através da prática da caridade em suas múltiplas (re)encarnações neste e em outros planetas. Em outras palavras, para os espíritas, a palavra-chave não é “salvação” (nem “redenção”), mas “evolução”. Esses dois termos são bem distintos: “salvação” é algo que vem de fora, enquanto “evolução” é algo que vem de dentro; “salvação” é libertação concedida pela fé em um “salvador” externo ao indivíduo; “evolução” é desenvolvimento de nossas potencialidades divinas, é nosso aperfeiçoamento espiritual, gradativo, realizado por nós mesmos ao longo de nossas múltiplas existências na matéria. Deus não nos criou “árvores”, mas “sementes” para que nós as façamos germinar e desenvolver frutos: amor, inteligência, honestidade, humildade, caridade, perdão, fraternidade, justiça etc. A “evolução”, ao contrário da “salvação”, depende de nosso trabalho individual e coletivo para chegarmos à perfeição. Só com muita luta e esforço, conseguiremos, gradativamente, nosso desenvolvimento espiritual, enquanto a “salvação” é de graça, dada de uma vez por todas. Basta “crer” para recebê-la ou basta arrepender-se dos “pecados” para ganhar o céu e livrar-se do inferno eterno.

 

4)    O QUE SIGNIFICA O LEMA RELIGIOSO PLURALISTA DO ESPIRITISMO, SEGUNDO O QUAL “FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO”?

Este lema pluralista da religião espírita contrapõe-se frontalmente ao lema exclusivista da Igreja Católica, pelo menos até o Concílio Vaticano II (1962-1965), que dizia: “FORA DA IGREJA NÃO HÁ SALVAÇÃO”. Vejamos a esse respeito o que declarou oficialmente o Concílio Ecumênico de Florença (1442):

A santa Igreja Católica Romana firmemente acredita, confessa e proclama que ninguém que esteja fora da Igreja Católica – pagão, judeu, descrente ou cismático – poderá ser salvo; será, ao contrário, condenado ao fogo eterno preparado para o demônio e seus anjos, a não ser que retorne [à Igreja Católica] antes de sua morte. (Apud KÜNG, Hans. Is there one true religion? An essay in establishing ecumenical criteria. In: HICK, John & HEBBLETHWAITE, Brian (Orgs.). Christianity and other religions. Oxford: Oneworld, 2001, p. 122).

Por conseguinte, mediante esse decreto oficial do Concílio de Florença, pode-se concluir, catolicamente, que todas aquelas dezenas de bilhões de seres humanos que morreram fora da Igreja Católica desde 1442 até o período do Concílio Vaticano II (1962-1965) foram todas para o “fogo eterno”! Será isso uma verdade absoluta? Sim, para quem mantém uma “fé cega”, mas não, para quem mantém uma “fé raciocinada”.

O Concílio Vaticano II tentou amenizar essa crença exclusivista e mítica da Igreja Católica, mas, nos últimos anos, o Vaticano vem tentando ressuscitá-la, particularmente através da Declaração “Dominus Iesus” (O Senhor Jesus), sobre a unicidade e universalidade salvífica de Cristo e da Igreja Católica, de autoria do Cardeal Joseph Ratzinger (hoje o Papa Bento XVI), com plena aprovação do Papa João Paulo II, Congregação para a Doutrina da Fé (Roma, 6 de agosto de 2000).

 

5)    SERÁ QUE FORA DA IGREJA CATÓLICA (OU DO CRISTIANISMO DOGMÁTICO) NÃO HÁ SALVAÇÃO?

De forma alguma. Para alguém “salvar-se”, ou melhor, para alguém “libertar-se” e “evoluir espiritualmente”, a única condição necessária e suficiente é praticar a caridade, independentemente de estar ou não filiado a uma determinada religião. A religião espírita não prega que FORA DO ESPIRITISMO NÃO HÁ SALVAÇÃO, mas que FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO. Por isso, reafirmo que o lema religioso do espiritismo é PLURALISTA, e não EXCLUSIVISTA.

O Papa Bento XVI lançou, em 2009, uma encíclica, intitulada A CARIDADE NA VERDADE (disponível na Internet), na qual volta a defender a velha tese exclusivista católica, segundo a qual FORA DA VERDADE (CATÓLICA) NÃO HÁ CARIDADE, NEM SALVAÇÃO! “Só na verdade [católica] é que a caridade refulge e pode ser autenticamente vivida” (Bento XVI, Encíclica A Caridade na Verdade, n. 3). Em outros termos, para Bento XVI, NÃO EXISTE CARIDADE FORA DA VERDADE ENSINADA PELA IGREJA CATÓLICA!

Que tese exclusivista absurda! Jesus, no Sermão da Montanha, o cerne de sua doutrina autêntica, não ensina que é preciso crer em determinada religião para “salvar-se”, ou seja, para alcançar o Reino de Deus. Ele ensina que os bem-aventurados, os cidadãos do reino dos céus, são os “pobres pelo espírito”, são os “puros de coração”, são os “mansos”, os que “sofrem perseguição por causa da justiça”, são os “pacificadores”, são os “misericordiosos” e “os que choram”, são os que “amam aos que os odeiam” e “fazem bem aos que lhe fazem mal”. (ROHDEN, Huberto. O Sermão da Montanha. Editora Martin Claret, São Paulo, 2007, p. 16)

Em suma, para concluir, reafirmo (com os espíritas religiosos pluralistas) que FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO! A tese exclusivista de que FORA DA IGREJA CATÓLICA NÃO HÁ CARIDADE NEM SALVAÇÃO é totalmente inconciliável com os ensinamentos autênticos e pluralistas do verdadeiro Jesus de Nazaré.

 

 

 

 

 



Escrito por José Pinheiro de Souza às 09h22
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315 – O ESPIRITISMO RELIGIOSO É “CRISTÃO”?

(7/11/2011)

 

 

Sim e não, dependendo do sentido que se dê ao termo “cristão”.

Embora esse tema já tenha sido abordado neste blog, no dia 6 de julho de 2009 (matéria 175), resolvi republicá-lo, hoje, com algumas alterações, pois se trata de um assunto importantíssimo para o diálogo religioso entre os espíritas religiosos e os cristãos dogmáticos.

O espiritismo religioso (e não o laico), como vimos na matéria publicada neste blog na semana passada (matéria n° 314), não é “religioso” no sentido dogmático do termo, mas no sentido de que tenta viver o código de moral universal ensinado e vivido pelo Jesus (ou Cristo) histórico, resumido na lei do amor: “Nisso conhecerão todos que sois meus discípulos [isto é, que sois “cristãos”], se tiverdes amor uns pelos outros” (João 13,35).

Por conseguinte, nesse sentido ético-moral (mas não no sentido dogmático e mítico), o espiritismo religioso pode chamar-se “cristão”, uma vez que tenta praticar a verdadeira religião, ensinada e vivida pelo Jesus histórico, a vivência do amor-caridade, a única forma de religiosidade capaz de unir todas as religiões e todas as pessoas deste planeta.

O espiritismo religioso rejeita todos os dogmas cristãos, dentre os quais destaco os três seguintes: O dogma fundamental da divindade de Jesus, o dogma da Santíssima Trindade e o dogma da salvação da humanidade pela morte expiatória de Jesus. Para os cristãos dogmáticos, quem não crê nesses dogmas não pode ser chamado “cristão”.

O teólogo franciscano Irineu Wilges, por exemplo, assim se expressa: “Não colocamos o espiritismo e a umbanda (cultos afro-brasileiros) entre as religiões cristãs porque elas não aceitam Cristo como Deus, que se encarnou e foi chamado Jesus de Nazaré” (WILGES, Irineu. Cultura Religiosa: as religiões no mundo. 9 ed. Petrópolis: Vozes, 1994, p. 115).

O mesmo pensamento é expresso pelo padre católico Paulo H. Gozzi:

Os espíritas não são cristãos porque, embora gostem tanto de Jesus e fazem até orações a ele, não acreditam em sua divindade e nem no valor de seu sacrifício na cruz para a humanidade. (GOZZI, Paulo H. Como lidar com as seitas. 4. ed. São Paulo: Paulus, 1989, p. 33).

Vejamos agora o que disse um bispo católico, Dom Benedito de Ulhôa Vieira, arcebispo de Uberaba, no programa Nosso Tempo, levado ao ar no dia 29 de setembro de 1991, pela TV Regional – Rede Manchete de Televisão, sobre Francisco Cândido Xavier:

Em matéria de doutrina, somos diametralmente opostos, porque a Doutrina Católica, evangelicamente católica, é uma doutrina que não se coaduna com a Doutrina Espírita: seria a mesma coisa que roda quadrada (PAIVA, Antônio Corrêa de. Catolicismo, espiritismo e cristianismo. Revista Espírita Allan Kardec, Goiânia, ano 4, nº 14, 1992, p. 23) (negrito meu).

Vejamos, enfim, o que afirma outro famoso adversário do espiritismo religioso, o Frei Boaventura Kloppenburg:

É certo que no Brasil o espiritismo não é nosso único problema religioso. Infelizmente. Mas continua válida [em 1997] a constatação feita pelos bispos em 1953: que, no momento, o espiritismo ainda é o desvio doutrinário “mais perigoso”, já que “nega não apenas uma ou outra verdade de nossa santa fé, mas todas elas, tendo, no entanto, a cautela de dizer-se cristão, de modo a deixar, a católicos menos avisados, a impressão erradíssima de ser possível conciliar catolicismo com espiritismo (KLOPPENBURG, Frei Boaventura. Espiritismo: orientação para os católicos. 6. ed. São Paulo: Loyola, 1997, p. 11).

Todos os autores católicos ora citados são unânimes em afirmar a incompatibilidade do espiritismo religioso com o cristianismo. Poderia ter citado também autores evangélicos para mostrar que, pelo menos nesse ponto, não há discordância entre católicos e protestantes. Mas, afirmar que o espiritismo religioso é “incompatível com o cristianismo” é uma afirmação vaga, pois não explicita o tipo de cristianismo. O espiritismo religioso é incompatível, sim, com o cristianismo dogmático, mítico, irracional e exclusivista dos cristãos, mas compatibilíssimo com o cristianismo racional, ecumênico e pluralista de Jesus (o “cristianismo das origens”).

Por aqui se vê como é importante a distinção fundamental que faço em minhas obras ecumênicas entre duas modalidades antagônicas de cristianismo: o cristianismo de Jesus e o dos cristãos. Sem essa distinção seria impossível afirmar em que sentido o espiritismo (religioso) é cristão ou em que sentido ele é inconciliável com o catolicismo, conforme a argumentação dos escritores católicos ora citados.

Sem dúvida alguma, em matéria de doutrina católica dogmática e mítica, não há mesmo como conciliar o espiritismo (religioso) com o catolicismo (“seria, de fato, a mesma coisa que roda quadrada”). Nesse sentido, temos que dar razão aos autores católicos, ao negarem o título de “cristão” a quem não professa os seus dogmas míticos. Afinal de contas, é um direito sagrado seu de acreditar nos seus postulados doutrinários, e todos devemos respeitar as opções de fé de cada religião. No sentido dogmático e mítico, portanto, só pode merecer o título de “cristão” aquele que professa os dogmas cristãos.

Por outro lado, como já disse, mas repito, têm também toda a razão de declarar-se “cristãos” aqueles que tentam pautar sua vida pelo código de moral universal que Jesus pregou e viveu, resumido no mandamento do amor a Deus e ao próximo, independentemente de professar ou não os dogmas do cristianismo ou de qualquer outra religião. Por conseguinte, somente por meio da distinção entre os dois tipos de cristianismo (e os dois tipos de espiritismo: o religioso e o laico), pode ficar racionalmente resolvido esse grande impasse. Basta que um lado entenda em que sentido o outro se define como “cristão” e que cada lado respeite o sentido do título de cristão de cada um. Não vejo outra saída para esse impasse.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por José Pinheiro de Souza às 09h29
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314 – O ESPIRITISMO RELIGIOSO

(31/10/2011)

 

 

       Como sou simpatizante do espiritismo religioso, e não do espiritismo laico, volto a refletir hoje neste blog sobre o caráter religioso do espiritismo kardecista, tema este que já foi abordado por diversas vezes neste blog, mas que nunca me cansarei de repeti-lo, pois é um tema superpolêmico, que vem dividindo o espiritismo em duas correntes antagônicas: o espiritismo religioso e o espiritismo laico, conforme abordei na matéria nº 292, publicada neste blog no dia 26 de junho deste ano.

       No dia 30 de maio de 2008, publiquei neste blog a matéria nº 56, intitulada: O ESPIRITISMO É UMA RELIGIÃO?, cuja resposta dada por mim foi esta: Sim e não, dependendo do sentido que se dê ao termo “religião”. O Espiritismo não é uma religião no sentido comum e institucional do termo, porquanto não tem sacerdotes, sacramentos, rituais, cultos aos santos etc., mas é uma “religião” no sentido filosófico e ético do termo, com base no código de moral universal, resumido na lei do amor, ensinado e vivido pelo Jesus histórico.

        O aspecto religioso do espiritismo tem gerado fortes dissidências na Doutrina Espírita, criando duas correntes antagônicas: 1) a dos que reduzem o espiritismo a uma ciência e uma filosofia, negando que ele seja uma religião, e 2) a dos que afirmam que o espiritismo, além de ser uma ciência e uma filosofia, é também uma religião, idêntica à religião de Jesus (em contraposição à religião dogmática e mítica dos cristãos). Nesse sentido, o espiritismo define-se como o cristianismo redivivo, por ser o Renascimento do Cristianismo de Jesus (o cristianismo das origens). Continuo defendendo, com Allan Kardec e a grande maioria dos espíritas, a segunda corrente (O ESPIRITISMO RELIGIOSO,  e não O ESPIRITISMO LAICO).

        Vejamos agora como o famoso espírita brasileiro Divaldo Pereira Franco defende o Aspecto Religioso do Espiritismo, citando várias obras de Allan Kardec (no site: http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/religiao/aspecto-religioso:html):

Podemos, assim, constatar que em toda a Codificação está presente o espírito religioso, completando os conteúdos científicos e filosóficos,      nos  quais se apóia toda a Revelação. Ao iniciar o colossal trabalho de interrogação aos Espíritos, a primeira questão apresentada por Allan Kardec é a respeito de Deus. [...] Deus, no Espiritismo, deixa de ser o Criador antropomórfico, para tornar-se a “inteligência suprema e causa primeira do Universo” (Questão 1- “O Livro dos Espíritos”).

Fundamentando-se nas mesmas questões abordadas por todas as religiões, e a que Kardec se referirá, posteriormente: “A Ciência e a Religião são as duas alavancas da inteligência humana: uma revela as leis do mundo material e a outra as do mundo moral...” (“O Evangelho segundo o Espiritismo”, Cap. I, nº 8.) E , logo depois, no Capítulo XXIV, item 16, da obra referida, volta a dizer: “Pois que a doutrina que professam (os adeptos do Espiritismo) mais não é do que o desenvolvimento e a aplicação da do Evangelho, também a eles se dirigem as palavras do Cristo.” [...] “A Ciência e Religião são as duas alavancas da inteligência humana: uma revela as leis do mundo material e outra as do mundo moral. Tendo, no entanto, essas leis o mesmo princípio, que é Deus, não podem se contradizer. [...]

 A seguir, no Capítulo XV, Itens 8 e 9 considera:

 (...)  Fora da caridade não há salvação – assenta num princípio universal e abre a todos os filhos de Deus acesso à suprema felicidade (...) consagra o princípio da igualdade perante Deus e da liberdade de consciência (...) os homens são irmãos e, qualquer que seja a maneira por que adorem o Criador, eles se estendem as mãos e oram uns pelos outros.”

 Anteriormente, afirmara o mestre, na Questão número 24 de “O Livro dos Médiuns”: O Espiritismo repousa sobre as bases fundamentais da religião...”, naturalmente confirmando o que se encontra exposto em “O Livro dos Espíritos”, na conclusão V: “O Espiritismo é forte porque assenta sobre as próprias bases da Religião: Deus, a alma, as penas e as recompensas futuras”; concluindo: “...O Espiritismo não traz moral diferente da de Jesus,“ (Idem, Conclusão VIII)”. [...]

Em “Obras Póstumas” (p. 235), confirma: “O Espiritismo é uma doutrina filosófica de efeitos religiosos, como qualquer filosofia espiritualista, pelo que forçosamente vai ter às bases fundamentais de todas as religiões: Deus, a alma e a vida futura. Mas não é uma religião constituída, visto que não tem culto, nem rito, nem templos e que, entre seus adeptos, nenhum tomou, nem recebeu o título de sacerdote ou de sumo sacerdote.” [...]

“Como vemos, a tese religiosa é fundamental no Espiritismo. Negar a existência da Religião Espírita é negar a lei de adoração e suas manifestações objetivas em todo o Mundo, em todas as épocas. Negar a existência de uma teologia Espírita é negar auxílio, o indispensável auxílio do Espírito de Verdade aos teólogos atormentados do nosso tempo.”  [...] “O Espiritismo é a Religião do amor”. (Divaldo Pereira Franco)

        Há muito tempo (desde o final do século 19, quando o espiritismo chegou ao Brasil), a discussão sobre o caráter religioso ou laico da Doutrina Espírita tem animado as hostes intelectuais do espiritismo brasileiro.

        Mas Kardec deixou bem claro que o espiritismo não é uma religião no sentido dogmático do termo, mas é religião, sim, no sentido da união da criatura ao Criador, como campo de “adoração racional” (ver “Lei de Adoração” em O Livro dos Espíritos), como código ético-moral, sem rituais, sem dogmas indiscutíveis, sem sacerdotes, sem misticismos arcaicos.

        É inegável a dimensão religiosa (ético-moral) do espiritismo, ou seja, o espiritismo é religião no aspecto ético-moral.

        Para concluir esta matéria, embora eu me declare simpatizante do espiritismo religioso, considero, contudo, bastante inútil toda essa polêmica discussão em torno de o espiritismo ser ou não uma religião, pois essa discussão não faz nenhuma diferença em nossa vida, em nossa evolução espiritual, em nossas provações, expiações e carmas, porque, de fato, não são nossas convicções teórico-doutrinárias que importam para as leis divinas (ou leis naturais) e sim nossa ação no mundo em favor do bem. O que é essencial em nossa vida é a prática da caridade, fora da qual não há salvação, no sentido de evolução espiritual. Deixemos, portanto, de lado as miseráveis questões de palavras e ocupemo-nos muito mais com o que é essencial para nossa libertação e evolução espiritual: a vivência do amor-caridade.

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por José Pinheiro de Souza às 03h58
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313 – O QUE É O ESPIRITISMO?

 (25/10/2011)

 

        Como todas as minhas obras ecumênicas (e macroecumênicas), bem como a grande maioria das matérias publicadas neste blog, são basicamente fundamentadas nos princípios da Doutrina Espírita, vou publicar neste blog, a partir desta semana, uma série de matérias sobre o espiritismo (as matérias foram todas extraídas e adaptadas de meu 1º livro ecumênico “Entrevistas com Jesus: reflexões ecumênicas”).

        O que é o espiritismo?

        Allan Kardec (1804-1869), codificador da Doutrina Espírita, em seu livro O Que é o Espiritismo, definiu-o assim: “O espiritismo é uma ciência que trata da natureza, da origem e da destinação dos espíritos e das suas relações com o mundo corporal” (KARDEC, Allan. O Que é o Espiritismo? A Codificação da Doutrina Espírita: obras completas de Allan Kardec. São Paulo: Instituto de Difusão Espírita, 1997, p. 2422).

        Além de ser uma ciência, o espiritismo é também uma filosofia, isto é, um conjunto de conhecimentos racionais sobre nossa natureza, nossa origem e nosso destino, com todas as consequências morais e éticas que decorrem desse tipo de conhecimento, conferindo-lhe um aspecto religioso ou de religião.

        Nas palavras do próprio Allan Kardec (ibid.),

o espiritismo é ao mesmo tempo uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se podem estabelecer com os espíritos; como filosofia, ele compreende todas as consequências morais que decorrem dessas relações (negrito meu).

        Em síntese, o espiritismo se define como ciência, filosofia e religião. Como ciência, prova a preexistência, a sobrevivência e a reencarnação da alma, bem como a existência e a natureza do mundo espiritual e suas relações com o mundo corpóreo. Como filosofia, vem revelar-nos conhecimentos sobre Deus, a alma, o homem, a reencarnação, o livre arbítrio, a lei de causa e efeito etc. Como religião, fundamenta-se no código de moral universal que Jesus pregou e viveu (cf. KARDEC, O Evangelho Segundo o Espiritismo, Introdução, 1º parágrafo). Nesse sentido, define-se como “cristão” (“o cristianismo redivivo”), mesmo que o título de “cristão” lhe seja negado pelos cristãos dogmáticos.

        Convém esclarecer que o espiritismo não é uma religião no sentido comum e institucional do termo, porquanto não tem sacerdotes, sacramentos, rituais, culto aos santos etc., mas define-se como “religião” no sentido moral e ético do termo, sendo seus cultos a prática da caridade, da prece, do passe magnético, da reforma íntima, do estudo contínuo, da mediunidade em busca de conforto, esclarecimento e ajuda aos necessitados encarnados e desencarnados. O espiritismo fundamenta-se na lei da reencarnação, ou seja, na crença das vidas sucessivas, em novos corpos físicos, na Terra e em outros planetas.

A NOVIDADADE TRAZIDA PELO ESPIRITISMO

        Qual foi a novidade trazida pelo espiritismo, uma vez que tanto o fenômeno mediúnico quanto a crença na reencarnação sempre existiram na humanidade?

        Os espíritas reconhecem que o fenômeno mediúnico, ou seja, o processo de comunicação entre o plano físico e o extrafísico, não é novo, pois sempre ocorreu desde a mais remota antiguidade e a todos os povos. O papel do espiritismo foi sobretudo o de sistematizar e popularizar esse processo comunicativo, tornando-o compreensível a todos. Os espíritas também reconhecem que a crença na reencarnação é antiquíssima. Coube ao espiritismo, contudo, investigar e divulgar essa crença.

ESPIRITISMO X ESPIRITUALISMO

        Que distinção existe entre “espiritismo” e “espiritualismo”?

        As palavras “espiritismo” e “espírita” foram criadas por Allan Kardec, para substituir as palavras “espiritualismo” e “espiritualista”, respectivamente, a fim de distinguir os que acreditam nos espíritos e nas suas manifestações daqueles que não admitem essa possibilidade.

        Nas palavras do próprio Allan Kardec, em seu livro, há pouco referido, O Que é o Espiritismo,

ESPIRITUALISTA é aquele ou aquela cuja doutrina é oposta ao materialismo. Todas as religiões, necessariamente, estão baseadas no espiritualismo. Quem crê haver em nós outra coisa além da matéria é espiritualista, o que não implica na crença nos espíritos e nas suas manifestações. [...] Para as coisas novas, é preciso palavras novas, se se quer evitar equívocos. [...] Todo espírita é, necessariamente, espiritualista, mas nem todo espiritualista é espírita (KARDEC, 1997, p. 2438) (itálicos do autor).

        Os termos espírita e espiritismo, criados por Allan Kardec, tornaram-se tão populares, sobretudo no Brasil, que passaram a ser usados indistintamente por várias outras doutrinas religiosas, filosóficas e/ou esotéricas, como as religiões de origem africana (umbanda, candomblé etc.), religiões e/ou filosofias reencarnacionistas de origem oriental e até mesmo por adeptos da adivinhação, astrologia, consultas a bolas de cristal, interpretação de sonhos, quiromancia, leitura da sorte com cartas de tarô ou búzios, terapias alternativas, horóscopos etc.

        Daí surgiu a necessidade de se empregar, atualmente, a expressão espiritismo kardecista para distingui-lo das outras formas de espiritismo, como o espiritismo de terreiros dos cultos afro-brasileiros (macumba, xangô, candomblé, umbanda, quimbanda etc.). Os umbandistas, por exemplo, fazem questão de serem chamados “espíritas”, mesmo que os espíritas kardecistas não os vejam como espíritas.

        Normalmente, porém, quando falamos de “espiritismo”, sem nenhuma qualificação, referimo-nos ao “espiritismo kardecista” ou “espiritismo propriamente dito”, pois foi no espiritismo kardecista que o termo “espiritismo” foi criado.

         Com a chegada do kardecismo ao Brasil, no final do século XIX, e  com a grande influência que ele exerceu sobre as religiões afro-brasileiras, surgiu então a expressão “espiritismo de terreiros” das religiões afro-brasileiras (macumba, candomblé, umbanda etc.)

         O “espiritismo kardecista” é a doutrina revelada e ensinada pelos espíritos, mediante comunicações mediúnicas, e codificada por Allan Kardec (pseudônimo de Hippolyte Léon Denizard Rivail) em O Livro dos Espíritos (obra básica do espiritismo), cuja publicação original se deu em 1857. Nesse livro, Allan Kardec registra as respostas dadas pelos espíritos a 1019 perguntas que tratam de vários assuntos relacionados com a natureza, origem e destino dos espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal.

 

 



Escrito por José Pinheiro de Souza às 17h05
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312 –A LÓGICA DA REENCARNAÇÃO

 (15/10/2011)

 

Por que algumas pessoas já nascem defeituosas ou doentes e outras não? Seria justo que Deus fizesse pessoas sofrerem, desde o nascimento, por algo que elas não fizeram, ou pelo que outras pessoas fizeram?

Qual a explicação para as pessoas que nascem defeituosas, paralíticas, doentes, ou cegas, enquanto outras nascem perfeitas e saudáveis?

Se houvesse apenas uma vida, e tivéssemos como objetivo atingir a chamada “SALVAÇÃO”, por que então alguns nascem com mais condições para atingir esse objetivo do que outros?

Uns nascem em famílias estruturadas, que lhes dão educação e bons exemplos de moral e os encaminham para o bem, enquanto outros nascem em famílias desestruturadas, no meio à extrema miséria, sem nenhum tipo de referencial moral, às vezes vítimas já cedo de violência e de todos os tipos de mazelas.

Como explicar o caso de pessoas que mesmo tendo sido boas durante a sua vida, são surpreendidas com doenças terríveis, ou ainda são vítimas de terríveis acidentes, enquanto outras passam toda a vida sem passar por nenhuma tragédia?

Poderíamos alegar azar de uns e sorte de outros?

Se nós fôssemos criados por Deus no momento do nascimento, e não existissem vidas anteriores, Deus seria justo ao fazer nascer uns com saúde e outros com doenças?

Claro que não. Deus seria injusto se assim o fizesse.

A explicação lógica é dada pela DOUTRINA DA REENCARNAÇÃO. Deus jamais impõe sofrimentos a quem quer que seja, e ninguém sofre sem merecer. Deus criou leis sábias e justas que regem a harmonia de todo o universo.

A reencarnação prova que Deus é justo. Se existisse apenas uma vida, então Deus estaria impondo a alguns, desde o nascimento, sofrimentos terríveis, sem que os mesmos tivessem merecido. Deus estaria, assim, sendo injusto.

         A teoria da “unicidade da existência” no plano físico não explica as desigualdades humanas.

        A ideia da unicidade da existência na Terra, ou seja, de uma só existência aqui neste planeta (como defendem os cristãos tradicionais), deixaria sem explicação a enorme diversidade intelectual, moral e social entre os seres humanos: por que as pessoas manifestam diferentes graus de inteligência? Por que umas nascem em berço esplêndido, enquanto outras morrem de fome ainda na infância ou até mesmo no ventre da mãe? Por que umas nascem perfeitamente saudáveis e fisicamente perfeitas, enquanto outras já nascem doentes e defeituosas? Por que muitas pessoas são moralmente boas e humildes desde a infância, enquanto outras já nascem depravadas e arrogantes? É um absurdo dizer que tudo isso acontece por vontade de Deus. Como explicar todas essas chocantes desigualdades entre as pessoas, sem admitir a reencarnação como meio de resgate de débitos contraídos em vidas passadas e como instrumento de evolução espiritual do ser humano? Todas essas anomalias só encontram uma explicação lógica na doutrina da reencarnação.

 

        A teoria da unicidade da existência humana no plano físico é também incompatível com o conceito de evolução. O objetivo principal da existência humana no plano físico é evoluir moral e intelectualmente. Mas, como pode uma pessoa atingir sua evolução intelectual e moral numa única existência nessa dimensão da vida? Por conseguinte, a doutrina da unicidade da existência humana não consegue dar uma explicação satisfatória ao conceito de evolução. Evolução, sobretudo em sua dimensão moral, é um processo muito lento e, por isso, exige muitas (re)encarnações. A essa altura, alguém poderia perguntar por que o ser humano deste planeta evoluiu até agora muito mais intelectual do que moralmente, e eu lhe responderia, prontamente, que o ser humano deste planeta evoluiu até agora muito mais intelectual do que moralmente, porque ainda não aprendeu a vivenciar o amor.

        Atualmente, são comuns as experiências de laboratórios que realizam as chamadas TVPs (Terapias de Vidas Passadas), que não deixam de ser fortes evidências científicas a favor da reencarnação. Todos sabemos que estão se tornando cada vez mais comuns atualmente as experiências de laboratórios que realizam as chamadas TVPs (Terapias de Vidas Passadas), em que o indivíduo, relativamente lúcido, recua nos depósitos de suas memórias e reencontra os clichês de suas vidas pretéritas, nas quais estão as causas de suas anomalias mentais e físicas atuais. As TVPs, além de serem instrumentos de cura, são também indubitavelmente fortes provas científicas a favor da reencarnação. As TVPs são hoje muito usadas como instrumento de cura nas psicoterapias da Psicologia Transpessoal.

        Quero concluir esta matéria (A LÓGICA DA REENCARNAÇÃO), reafirmando, com Allan Kardec (cf. KARDEC, a Gênese, cap. 11, n. 33), que, sem a reencarnação, não se explicaria o progresso incontestável pelo qual vem passando a humanidade desde os tempos primitivos até os dias atuais. Se não existisse a reencarnação, ou seja, se houvesse uma só existência na Terra, seríamos todos seres humanos primitivos. Sem dúvida alguma, esse é um dos mais convincentes argumentos a favor da reencarnação.

 



Escrito por José Pinheiro de Souza às 02h33
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311 – COMENTÁRIO SOBRE O LIVRO

“TRÊS MANEIRAS DE VER JESUS”

(11/10/2011)

 

De: Fred Benevides

Assunto: Comentário sobre o livro “Três Maneiras de Ver Jesus”

Data: 11/10/2011

 

 

Caro Prof. José Pinheiro de Souza:

Sou Fred Benevides, "UM SERESTEIRO DENTRO DA NOITE". Tomo a liberdade de enviar-lhe minha apreciação sobre seu livro: TRÊS MANEIRAS DE VER JESUS.

Agradeço a Deus por ter colocado este livro no meu caminho. Sempre questionei sobre assuntos teológicos, ficando estarrecido diante das doutrinas religiosas, por se manterem anos a fio mergulhadas na mitologia de suas narrações atravessando a barreira do tempo.

Sou um ledor de Kardec, que, para mim, é o que se aproxima mais da verdade. Talvez o único que explica os fatos verdadeiros. Sendo, sem sombra de duvidas, a Terceira Revelação, com “O Livro dos Espíritos”.

Agora chega o Prof. José Pinheiro, corajosamente publicando suas conclusões, baseadas em seus profundos estudos teológicos, mostrando o que sempre pensei sobre essa figura historicamente maravilhosa que é o nosso avatar, Jesus Cristo. Quantas mentiras, narrações estapafúrdias e muitas coisas mais atribuídas a este Homem, sem necessidade nenhuma. Ele humildemente disse: "... busquem a verdade e ela vos libertará..."

Estamos buscando exatamente esta verdade.

Vou divulgar seu livro na TVC e preciso informar aos telespectadores aonde encontrá-lo. Apesar de não ser assunto do meu programa, sei como conduzir o fato.

Talvez inicie o meu programa na TVC com a página "NÃO IMPORTA O CAMINHO".

Um forte abraço de seu amigo e admirador Fred Benevides.

 

 

 

 

 



Escrito por José Pinheiro de Souza às 23h00
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