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350- O JESUS HISTÓRICO E O MÍTICO (matéria extraída de meu 8º livro ecumênico “O JESUS HISTÓRICO E O MÍTICO”, em andamento) (6/5/2012) Estou escrevendo meu 8º livro ecumênico “O JESUS HISTÓRICO E O MÍTICO”, o qual estará disponível no meu site (www.professorpinheiro.com) a partir de segundo semestre deste ano de 2012. Quero apresentar nesta matéria um resumo das principais distinções, que serão abordadas neste meu 8º livro ecumênico, entre o “Jesus histórico e o Jesus mítico” (também chamado de “Cristo da fé”): Segundo essa famosa distinção, o “Jesus mítico” (também chamado de “Cristo da fé”) é literalmente visto como “Deus encarnado”, o “Filho de Deus” e “Deus o Filho” (Segunda Pessoa da Santíssima Trindade), que nasceu miraculosamente, de um parto virginal, por obra e graça do Espírito Santo, enquanto o “Jesus histórico” é visto como uma pessoa inteiramente humana, que nasceu de um parto normal como qualquer um de nós. O “Jesus mítico” (ou “Cristo da fé”) é visto como o único salvador da humanidade, enquanto o Jesus histórico é visto como um salvador, ou melhor, como um libertador, ao lado de muitos outros. O “Jesus mítico” (ou “Cristo da fé”) é interpretado literal e dogmaticamente como o único “Filho de Deus” que morreu na cruz para nos salvar de nossos pecados (incluindo o pecado original cometido pelos nossos primeiros pais, Adão e Eva), enquanto o “Jesus histórico” não é visto como alguém que morreu para nos redimir de nossos pecados, nem do “pecado original”, pois esse tal de “pecado original” nunca existiu e nós não descendemos de Adão e Eva, como comprova a ciência. O “Jesus mítico” (ou “Cristo da fé”) fundou uma nova religião ou igreja, enquanto o “Jesus histórico” não fundou nenhuma religião ou igreja, mas apenas nos ensinou um código de moral (ou de ética) universal, resumido na lei do amor, a única forma de religiosidade (ou de espiritualidade) capaz de unir a todos. O “Jesus mítico” (ou “Cristo da fé”) instituiu sete sacramentos (indispensáveis à salvação), enquanto o “Jesus histórico” não instituiu nenhum sacramento. O “Jesus mítico” (ou “Cristo da fé”) é um personagem superexclusivista (o único caminho), enquanto o “Jesus histórico” é um personagem pluralista. O “Jesus mítico” (ou “Cristo da fé”) ressuscitou fisicamente, subiu ao céu fisicamente, de onde retornará fisicamente para julgar a humanidade, enviando os bons para o céu e os maus para o inferno eterno, enquanto nada disso aconteceu (ou acontecerá) com o “Jesus histórico”. O “Jesus mítico” (ou “Cristo da fé”) pregou que o inferno eterno existe, enquanto o “Jesus histórico” nunca falou da existência de penas eternas. O “Jesus mítico” (ou “Cristo da fé”) fez “milagres” que supostamente anulam as leis da natureza, tais como: ressuscitar mortos, transformar água em vinho, multiplicar pães e peixes, andar sobre as águas, transformar o pão em seu corpo e o vinho em seu sangue, enquanto nada disso foi feito pelo “Jesus histórico”. Em suma, em meus livros ecumênicos, argumento (com muitos outros autores) que é preciso distinguir (no cristianismo e nos Evangelhos), duas maneiras antagônicas de ver Jesus: o “Jesus histórico e o mítico” também chamado de (“Cristo da fé”). O “Jesus histórico” é visto como uma pessoa inteiramente humana, enquanto o “Cristo da fé” é literalmente visto e dogmatizado como uma pessoa totalmente divina (com duas naturezas: a divina e a humana). Convido a todos para ler este meu 8º livro ecumênico, assim que ele estiver disponível no meu site. O meu 7º livro ecumênico (“O Mito da Unicidade Cristã”) também estará disponível no meu site (www.professorpinheiro.com), a partir do segundo semestre deste ano de 2012.
Escrito por José Pinheiro de Souza às 19h13
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349- QUAL É O DOCUMENTO DA IGREJA CATÓLICA QUE MAIS DEFENDE O MITO DA UNICIDADE CRISTÃ? (matéria extraída de meu 7º livro ecumênico “O MITO DA UNICIDADE CRISTÔ, em andamento) (24/4/2012) O documento da Igreja Católica que mais defende o mito da unicidade cristã é “A DECLARAÇÃO DOMINUS IESUS (‘O SENHOR JESUS’): sobre a unicidade e universalidade salvífica de Jesus Cristo e da Igreja”, de autoria do Cardeal Joseph Ratzinger (hoje o Papa Bento XVI), com plena aprovação do Papa João Paulo II, Congregação para a Doutrina da Fé (Roma, 6 de agosto de 2000). Este documento pontifício aborda a relação da Igreja Católica com as demais igrejas cristãs e com as outras religiões, dá um grande passo atrás na abertura ecumênica proposta pelo Concílio Vaticano II, com fortíssima tendência de retorno à velha postura exclusivista eclesiocêntrica da época pré-conciliar (“Só a Igreja Católica é a Igreja de Cristo”), e insiste demais no exclusivismo da Igreja Católica. O documento marca, como veremos, um grande retrocesso no movimento ecumênico católico. A declaração Dominus Iesus (DI) inicia advertindo os católicos contra o perigo do “relativismo” e do “pluralismo” que ameaçam “o perene anúncio missionário da Igreja” (DI 4) e que consideram superadas verdades fundamentais da fé cristã. A fim de enfrentar a mentalidade relativista e pluralista de nosso tempo, a DI reafirma “o caráter definitivo e completo da revelação de Jesus Cristo” (DI 5): É, por conseguinte, contrária à fé da Igreja a tese que defende o caráter limitado, incompleto e imperfeito da revelação de Jesus Cristo, que seria complementar da que é presente nas outras religiões (DI 6). É igualmente frequente a tese que nega a unicidade e a universalidade salvífica do mistério de Jesus Cristo. Tal posição não tem nenhum fundamento bíblico. Deve, ao invés, crer-se firmemente, como dado perene da fé da Igreja, a verdade de Jesus Cristo, Filho de Deus, Senhor e único salvador, que no seu evento de encarnação, morte e ressurreição, realizou a história da salvação, a qual tem nele a sua plenitude e o seu centro (DI 13). A Declaração Dominus Iesus fundamenta a suposta unicidade e universalidade salvífica de Jesus Cristo (exclusivismo cristocêntrico) em passagens exclusivistas e míticas do Novo Testamento como estas: E não há salvação em nenhum outro, pois não existe debaixo do Céu outro nome dado aos homens, pelo qual tenhamos de ser salvos (Atos 4,12) (DI 13). [Deus] quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade. Pois Deus é um só, e um só também o Mediador entre Deus e os homens: esse homem, que é Cristo Jesus, que se entregou à morte para resgatar a todos (1Timóteo 2,4-6) (DI 13). Além da ênfase nos mitos da suposta unicidade e universalidade salvífica de Cristo (cristocentrismo), a DI insiste na afirmação “suicida” (do ponto de vista ecumênico), de que “a Igreja Católica [...] é a única Igreja de Cristo” [catolicentrismo] (DI 16). Uma declaração fechada como essa põe fim a todo o esforço anterior da Igreja em prol do ecumenismo: Os fiéis são obrigados a professar que existe uma continuidade histórica – radicada na sucessão apostólica – entre a Igreja fundada por Cristo e a Igreja Católica: “Esta é a única Igreja de Cristo [...] que o nosso Salvador, depois de sua ressurreição, confiou a Pedro para apascentar (cf. João 21,17), encarregando a ele e aos demais Apóstolos de a difundirem e de a governarem (cf. Mateus 28,18ss); levantando-a para sempre como coluna e esteio da verdade (cf. 1Timóteo 3,15). [...] A Igreja de Cristo, não obstante as divisões dos cristãos, continua a existir plenamente só na Igreja Católica [...] (UR 3/DI 16). (Negrito meu) Desse modo, a DI discrimina radicalmente as outras igrejas cristãs, afirmando, por exemplo, que elas “não são Igrejas em sentido próprio”, por não admitirem o primado de Pedro, o sacramento da ordem e o ministério eucarístico (cf. DI 17). O documento rejeita a tese pluralista da equivalência funcional entre as religiões (NÃO IMPORTA O CAMINHO!), reafirmando a convicção de que a Igreja Católica não é um caminho, mas o caminho, o único caminho de “salvação” – um claríssimo retorno à velha postura eclesiocêntrica da época pré-conciliar: EXTRA ECCLESIAM NULLA SALUS – FORA DA IGREJA, NÃO HÁ SALVAÇÃO – (cf. DI 21). A DI rejeita, finalmente, o diálogo religioso de igual para igual em assuntos doutrinários, declarando, assim, mais uma vez, a superioridade do cristianismo e da Igreja Católica sobre as demais religiões (cf. DI 22). Em resumo, com a DI, a Igreja Católica volta a enfatizar claramente suas velhas posições exclusivistas e míticas: só ela é a verdadeira Igreja fundada por Jesus Cristo; só ela possui a plenitude dos meios de salvação; só ela é Igreja no sentido próprio; só a ela foi confiada a plenitude da graça e da verdade etc. A declaração Dominus Iesus é, no correto dizer do teólogo católico Leonardo Boff, um documento fundamentalista (e, diria eu, arrogante): O fundamentalismo doutrinário é bem representado no documento Dominus Iesus do ano 2000, assinado pelo Cardeal Joseph Ratzinger, prefeito da antiga Inquisição, que aborda a relação de Cristo e da Igreja Católica com as demais igrejas e religiões. Aí se sustenta que a Igreja Católica é a única Igreja de Cristo. As demais denominações cristãs não são igrejas, trata-se de usurpação do título. Possuem apenas elementos eclesiais. O catolicismo comparece também como a única religião verdadeira, e os que não se converterem à Igreja Católica Apostólica Romana correm risco de perdição eterna (BOFF, 2002, p. 17-18). Dou muita razão a esse mesmo ilustre teólogo católico (Leonardo Boff), ao lamentar o inegável retrocesso ecumênico e macroecumênico da Igreja Católica, marcado por esse documento: Cinquenta anos de trabalho ecumênico, de diálogo inter-religioso, aparentemente se esvaíram, porque as velhas teses medievais da Igreja como única portadora dos desígnios de Deus, e fora da qual não há salvação, foram ressuscitadas. Isto provocou um escândalo em toda a Igreja, escândalo que não foi ainda digerido nem por nós católicos, muito menos pelos protestantes, que estavam se acercando muito próximos da Igreja Católica (id. ibid.).
Escrito por José Pinheiro de Souza às 21h40
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348- A IGREJA CATÓLICA FOI A ÚNICA RELIGIÃO FUNDADA PELO PRÓPRIO DEUS, NA PESSOA DE JESUS? (matéria extraída de meu 7º livro ecumênico “O MITO DA UNICIDADE CRISTÔ, em andamento) (16/4/2012) Como já foi dito, na resposta da pergunta anterior, Deus não fundou nenhuma religião ou igreja. A Igreja Católica sempre teve a convicção de ser a única religião (ou Igreja) fundada pelo próprio Deus, na pessoa de Jesus Cristo. Essa pretensão católica tem sido questionada e até negada por muitos especialistas em história das origens do cristianismo (incluindo até mesmo famosos teólogos católicos). Como escreve o escritor espanhol vaticanista Juan Arias, uma das perguntas mais delicadas, comprometedoras e complexas sobre Jesus é se ele quis fundar uma nova Igreja e uma nova religião. Uma pergunta difícil, já que a Igreja Católica e, em geral, as igrejas cristãs jamais admitirão que não foram fundadas por Jesus [...]. Contudo, não poucos especialistas se fizeram seriamente essa pergunta (ARIAS, 2001, p. 127) (negrito meu). O famoso teólogo católico Leonardo Boff, por exemplo, em seu livro Igreja: Carisma e Poder, publicado (pela Editora Vozes) em 1981, reconhece a existência dentro do próprio catolicismo de duas correntes opostas entre os teólogos: uma corrente afirmando que Jesus fundou a Igreja e outra afirmando que “a Igreja como instituição não estava nas cogitações do Jesus histórico...” (BOFF, Igreja: Carisma e Poder, edição revista, 2005, p. 425). Por causa dessa afirmação, Boff foi duramente criticado por Joseph Ratzinger (hoje o Papa Bento XVI), que o acusa nos seguintes termos, citando o próprio Boff: Segundo suas próprias palavras, (L. Boff) coloca-se dentro de uma orientação na qual se afirma que “a Igreja como instituição não estava nas cogitações do Jesus histórico, surgindo, isto sim, como evolução posterior à ressurreição, particularmente com o processo progressivo de desescatologização” (p. 133) (RATZINGER, apud BOFF, ibid.). A crença de que a Igreja Católica foi fundada por Jesus Cristo é baseada na seguinte passagem do Evangelho de Mateus: Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja, e as portas do Inferno nunca prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus e o que ligares na terra será ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado nos céus (Mateus 16,18-19) (negrito meu). Essa passagem não se encontra em nenhum outro Evangelho e em nenhum outro escrito canônico ou apócrifo do Novo Testamento, o que já constitui uma das maiores provas de sua inautenticidade. Como argumenta o escritor espírita Hermínio C. Miranda, em seu livro Cristianismo: a mensagem esquecida, é pouco provável, contudo, que Jesus tenha, por exemplo, instituído uma igreja, ou melhor, a sua igreja, conforme consta em Mateus 16:18. Essa é a única referência específica nos Evangelhos, ressaltando-se, naturalmente, que a palavra original grega – ekklesía – quer dizer comunidade, reunião de pessoas, religiosas ou não. É com essa conotação que começou a ser aplicada, nos Atos e nas Epístolas, ou seja, um local onde se reuniam os cristãos, não como uma Igreja fundada e institucionalizada por Jesus, com a sua estrutura administrativa, ritualística, sacramental e doutrinária (MIRANDA, 1988, p. 168). O mesmo autor prossegue em sua brilhante argumentação, à luz da “fé raciocinada”, mostrando que Jesus não fundou nenhuma igreja: Em suma, Jesus não fundou a Igreja e nem mesmo igrejas, como Paulo e outros apóstolos. Pregou as suas ideias e deu seu testemunho. Não estava cogitando de templos de pedra nem de hierarquias sacerdotais, dogmas ou normas de direito canônico (ibid.). Existem famosos teólogos cristãos (incluindo católicos) que negam, corretamente, que o Jesus histórico tenha, de fato, fundado uma igreja durante a sua vida terrena. Um famoso escritor católico que defende essa verdade é o ilustre teólogo Hans Küng, padre suíço, nomeado pelo Papa João XXIII como consultor teológico para o Concílio Vaticano II. Eis suas palavras: Jesus não fundou uma igreja durante sua vida. [...] Hoje, até exegetas católicos aceitam que a famosa frase sobre Pedro como a pedra na qual Jesus construirá sua igreja (Mateus 16,18-19: a declaração está no futuro), e da qual os outros Evangelhos não têm conhecimento, não é uma frase do Jesus terreno, mas foi composta após a Páscoa pela comunidade palestina, ou mais tarde pela comunidade de Mateus (KÜNG, 2002, p. 28) (negrito meu). Essa mesma tese, apoiada pelo historiador belga (teólogo e ex-padre católico) Eduardo Hoornaert, já havia sido defendida, no início do século XX, pelo padre francês Alfred Loisy, o qual, no dizer de Eduardo Hoornaert, sofreu muito por causa desse seu posicionamento, foi humilhado e proibido de ensinar em instituições da Igreja. Morreu isolado de seus colegas. Mesmo assim, sua tese é vitoriosa, hoje, pelo menos entre os estudiosos da história das origens do cristianismo (HOORNAERT, 2006, p. 34) (negrito meu). Concordo com a tese de que o Jesus histórico não fundou uma nova religião nem uma igreja. Ele formou, sim, uma COMUNIDADE DE AMOR (o “cristianismo das origens”), ou seja, uma COMUNIDADE DE PESSOAS, para viver e pregar os princípios do código de moral (ou de ética) universal que ele ensinou: a paz, a união, a fraternidade, a justiça, a humildade, o perdão e o amor, sem exclusivismos e divisionismos de nenhuma espécie. Como poderia o “cristianismo mítico” ter sido fundado por Jesus (ou por Deus), se as centenas de igrejas que se dizem “cristãs” vivem a desunião, a intolerância e o exclusivismo, fazendo guerras entre si? Deus não pode ser excluvista, mas pluralista. Não foi o Jesus histórico, portanto, que fundou uma nova religião ou uma “igreja” (a sua “igreja”), mas foram os cristãos que o fizeram, a começar por Paulo de Tarso. Jesus ensinou e praticou não uma nova religião, mas A RELIGIÃO, A VERDADEIRA RELIGIÃO – A VIVÊNCIA DO AMOR!
Escrito por José Pinheiro de Souza às 03h45
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347- JESUS É O NOSSO ÚNICO “BODE EXPIATÓRIO”? (matéria extraída de meu 7º livro ecumênico “O MITO DA UNICIDADE CRISTÔ, em andamento) (15/4/2012) O Jesus mítico, sim; não, porém, o Jesus histórico. Abordarei nesta resposta o mito antigo e bárbaro do perdão de nossas faltas por meio da oferta de sacrifícios expiatórios a Deus, com o derramamento de sangue da vítima, rito esse praticado não somente pelo povo hebreu, mas por muitos outros povos mais antigos. Mediante esse velho rito mítico, seres humanos (principalmente heróis, crianças e moças virgens) eram sacrificados para agradar aos deuses e obter deles favores e perdão dos pecados. Foi esse mito que gerou a doutrina cristã mítica da salvação defendida por Paulo de Tarso e pelo cristianismo dogmático, ou seja, “Paulo diz que os pecados são perdoados se a pessoa acreditar que Jesus morreu na cruz por ela. É a doutrina da salvação em que o herói derrama seu sangue e todos são perdoados por causa dele” (VASCONCELOS, Yuri. O Homem que inventou Cristo. SUPER Interessante. Edição 195, dez, 2003). Com o passar dos tempos, animais (como bois, bodes, cordeiros, ovelhas e pombas) substituíram os seres humanos nos sacrifícios expiatórios. No judaísmo, anualmente, no Dia da Expiação dos Pecados, conforme Levítico 16, um bode era sacrificado como oferecimento pelos pecados dos judeus e outro bode era enviado ao deserto, conduzindo os pecados do povo hebreu. Foi sobretudo esse mito judaico do “bode expiatório” que deu origem à doutrina cristã dogmática (paulinista) da “expiação” do “pecado original” pelo sacrifício de Cristo na cruz, ou seja, Jesus (o mítico) passou a ser interpretado como o único bode (ou o cordeiro) expiatório final e definitivo pelos pecados de todos os seres humanos deste planeta. Mais explicitamente, o Jesus mítico sempre foi visto pelos cristãos dogmáticos (paulinistas) como a personificação da prática mítica antiga de transferir os pecados de um grupo para um animal ou para um bode expiatório humano, que seria banido ou mesmo sacrificado como meio de expurgar as faltas cometidas pelos membros da sociedade. Esse animal, ou ser humano, era algumas vezes revestido de divindade e, assim, um homem-deus podia morrer como um bode expiatório e transformar-se num “redentor”. Por isso, o Jesus mítico é “o Cordeiro de Deus”, o “redentor” da humanidade pelo seu sangue derramado na cruz. A doutrina central do cristianismo dogmático da expiação dos pecados da humanidade pelo sangue de Cristo derramado na cruz é vista, com razão, por muitos escritores modernos como cruel, repugnante e masoquista (ou sadomasoquista). “Masoquista” (ou “sadomasoquista”) é uma pessoa que busca o sofrimento, a humilhação, ou até mesmo a morte, sentindo muito prazer (cf. Dicionário HOUAISS da Língua Portuguesa, verbete masoquismo). Nesse sentido, reflitamos sobre o que escreveu o escritor Richard Dawkins: Agora o sadomasoquismo. Deus encarnou-se como homem, Jesus, para que pudesse ser torturado e executado em expiação do pecado hereditário de Adão. Desde que Paulo expôs essa doutrina repugnante, Jesus vem sendo adorado como o redentor de todos os nossos pecados. Não apenas o pecado passado de Adão: pecados futuros também, decidam ou não as pessoas futuras cometê-los! [...] Se Deus quisesse perdoar nossos pecados, por que não perdoá-los, simplesmente, sem ter de ser torturado e executado em pagamento...? [...] Paulo... estava impregnado do velho princípio teológico judaico de que sem sangue não há expiação. [...] [Em suas epístolas], ele diz exatamente isso. Os estudiosos progressistas da ética hoje em dia já acham difícil defender qualquer tipo de teoria retributiva da punição, imagine então a teoria do bode expiatório – executar um inocente para pagar pelos pecados dos culpados. [...] E, para completar, Adão, o suposto executor do pecado original, nem existiu: [...] Ah, mas é claro, a história de Adão e Eva era apenas simbólica, não era? Simbólica? Então, para impressionar a si mesmo, Jesus fez-se ser torturado e executado, numa punição indireta por um pecado simbólico cometido por um indivíduo inexistente? (DAWKINS, 2007, p. 325, 326 e 327) . Mesmo não sendo ateu, concordo plenamente com o que escreveu este escritor ateu Richard Dawkins nessa citação. Como é que Jesus pode ter morrido para pagar o pecado original, cometido por Adão, se nem Adão nem o pecado original existiram historicamente, mas apenas simbolicamente? E se a história de Adão e Eva é apenas simbólica, como defendem atualmente, com razão, muitos teólogos cristãos, como é que Jesus pode ter sido sacrificado na cruz para pagar uma culpa apenas simbólica, cometida por indivíduos inexistentes? Essa argumentação lógica é mais do que suficiente para desmentir, à luz da “fé raciocinada”, o dogma cristão da redenção de nossos pecados pelo sangue de Cristo derramado na cruz. Essa doutrina mítica, cruel, repugnante e sadomasoquista é, portanto, totalmente falsa. Como já esclareci em respostas anteriores deste livro, “associando a morte do Unigênito de Deus à redenção de nossos pecados, Paulo de Tarso retrocedeu às primitivas religiões semíticas, em que os pais deviam imolar seus primogênitos” (KERSTEN, 1986, p. 35) (negrito meu). Em suma, para concluir a resposta da presente pergunta, reafirmo, à luz da fé raciocinada, que Jesus não é o nosso “bode expiatório”. Ele não foi morto para pagar nossos pecados. Somente o amor-caridade será capaz de nos redimir de nossos pecados, em múltiplas (re)encarnações, neste e em outros planetas, e não o sangue de Cristo derramado na cruz. O que nos salva, o que nos liberta, o que nos faz evoluir espiritualmente, não me cansarei de repetir, é somente a prática do amor-caridade, e não a fé em Cristo morto e ressuscitado, como defende o cristianismo dogmático (paulinista), há dois mil anos.
Escrito por José Pinheiro de Souza às 10h24
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346- A IGREJA CATÓLICA É A ÚNICA RELIGÃO DE DEUS? (matéria extraída de meu 7º livro ecumênico “O MITO DA UNICIDADE CRISTÔ, em andamento) (14/4/2012) Nos Atos dos Apóstolos, Paulo de Tarso, principal fundador do cristianismo dogmático e mítico, faz uma clara referência à Igreja Católica como “a Igreja de Deus, que ele adquiriu para si pelo sangue de seu próprio Filho” (Atos dos Apóstolos, 20,28) (negrito meu). Na visão que defendo, há, pelo menos, três erros nessa teologia paulina: (1) Deus não fundou nenhuma religião ou igreja; (2) Jesus não é literalmente “Filho de Deus” nem “Deus encarnado” e (3) se Deus quisesse fundar uma religião ou igreja, Ele não precisaria do sangue derramado de ninguém, pois o verdadeiro Deus não é “masoquista”, ou seja, não tem prazer com o próprio sofrimento. Essas crenças são velhos mitos cristãos que precisam urgentemente serem discutidos na mesa do diálogo inter-religioso. “A RELIGIÃO DE DEUS”, como acertadamente prega a LBV (Legião da Boa Vontade), é a prática do Amor, pregada e vivida por Jesus, há dois mil anos, mas que tem sido bastante negligenciada pela grande maioria dos que se dizem “cristãos”, os quais, como tenho acentuado por diversas vezes em meus livros ecumênicos e em meu blog, sempre deram mais valor aos dogmas (ou mitos) cristãos teológicos e cristológicos, isto é, relativos à natureza de Deus e à pessoa de Jesus, do que à sua mensagem verdadeiramente redentora de amor a Deus e ao próximo. Prova disso é a fragmentação constante do cristianismo dogmático e mítico ao longo de sua história, suas guerras, suas pretensões exclusivistas, seu sentimento de unicidade e de superioridade em relação às outras religiões etc. Quantas mortes, intolerância e discriminações ao longo da história do cristianismo mítico. Quem discrimina o próximo não o ama; quem mata o próximo não o ama. O amor só pode fazer o bem, e não o mal. O Jesus histórico, de fato, resumiu todos os seus ensinamentos no MANDAMENTO DO AMOR: “Isto vos ordeno: amai-vos uns aos outros” (João 15,17). “Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros” (João 13,34). “Amarás ao Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu sentimento e com toda a tua força. Este é o primeiro e mais sublime preceito, porém é igual a este: amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Lucas 10,27; Mateus 22,37) (negrito meu). Esta foi a verdadeira religião ensinada e vivida por Jesus. Uma religião essencialmente moral, moral religiosa, a qual foi substituída posteriormente por dogmas e mitos exclusivistas. Nesse contexto, tanto o Espiritismo como a Legião da Boa Vontade (LBV) definem-se como o “renascimento” do verdadeiro cristianismo, o “cristianismo redivivo”, o “cristianismo das origens”, o “cristianismo do amor-caridade”, o “cristianismo ecumênico”, o “cristianismo do diálogo inter-religioso”, não uma nova religião ou seita (nem uma igreja) no sentido institucional, mas um código de moral (ou de ética) universal, resumido na lei do amor, autenticamente ensinado e vivenciado por Jesus, “o terreno onde todos os cultos podem se reencontrar, a bandeira sob a qual todos podem se abrigar, quaisquer que sejam suas crenças, porque jamais foi objeto de disputas religiosas, sempre e por toda parte levantadas pelas questões de dogma” (KARDEC, O Evangelho Segundo o Espiritismo, Introdução, 1º parágrafo), enquanto o cristianismo exclusivista e divisionista dos cristãos é um novo credo religioso, caracterizado, sobretudo, por um conjunto de dogmas (ou de mitos), fragmentado em centenas de igrejas, seitas e denominações, objeto de inúmeras controvérsias e de numerosos conflitos ao longo de sua história, originalmente fundado, não por Jesus de Nazaré, mas por Paulo de Tarso, daí ser também chamado de “paulinismo” e de “cristianismo mítico”, uma vez que é fundamentado muito mais em mitos (literalmente interpretados) do que em fatos históricos. O cristianismo racional e pluralista de Jesus, repito, é a única forma de religiosidade (ou de espiritualidade) capaz de unir todas as pessoas e todas as crenças deste planeta, enquanto o cristianismo irracional, dogmático, exclusivista e mítico dos cristãos nunca teve (nem terá jamais) condições de unir a cristandade e a humanidade. É inegável o fato de que, só por fazer renascer e tentar praticar a Verdadeira Religião – a “vivência do amor” – o Espiritismo e a LBV merecem todos os elogios e deveriam ser seguidos, pelo menos nesse ponto, por todas as pessoas, uma vez que a Religião do Amor deve ser vivenciada por todos os seres humanos, independentemente do credo religioso que professem e independentemente de pertencerem ou não a uma instituição religiosa particular, pois o amor é universal, não tem fronteiras. Como o Espiritismo e a LBV, também eu, em minhas obras ecumênicas, não tenho almejado alcançar outro objetivo maior, a não ser restaurar o verdadeiro “Cristianismo do Jesus Histórico” – A VIVÊNCIA DO AMOR, A PRÁTICA DA CARIDADE, A VERDADEIRA RELIGIÃO, A ÚNICA RELIGIÃO DE DEUS E DE JESUS, QUE HÁ DE DURAR ETERNAMENTE. Como tenho dito e repetido, somente a prática dessa verdadeira religião terá condições de realmente unir a humanidade – atualmente tão fragmentada em milhares de religiões e seitas “todas lutando entre si, exclusivistas na posse da Verdade e isso em nome do próprio Deus, aplicando-se não a procurar a ponte que as una, mas a cavar o abismo que as divida” (UBALDI, 1992, p. 30). Para concluir a resposta da presente pergunta, reafirmo que não somente a Legião da Boa Vontade (LBV), mas toda e qualquer outra instituição (religiosa ou não), cujo objetivo central é fazer com que as pessoas pratiquem a Religião do Amor, a Prática da Caridade, ensinada e vivida por Jesus (e por muitos outros líderes religiosos), pode e deve ser corretamente chamada de “A RELIGIÃO DE DEUS”, pois Deus é Amor e o Amor é Deus. Quero encerrar esta resposta, convidando os cristãos dogmáticos a se convencerem de que são chegados os tempos de conhecermos melhor as verdades cristãs, mediante o diálogo ecumênico e/ou inter-religioso, sobretudo as verdades a respeito da verdadeira identidade (ou natureza) de Jesus: QUEM FOI JESUS? A resposta a essa pergunta, objetivo principal de meus livros ecumênicos, tem sido a maior polêmica cristã de todos os tempos. Mas a única saída para se chegar a um consenso é a prática do diálogo inter-religioso, aberto e sincero, à luz da “fé raciocinada”. Não vejo outra saída. Enquanto isso não acontecer, repito, nunca haverá unidade e paz entre os próprios cristãos, nem unidade e paz entre os habitantes da Terra, e nunca chegaremos ao conhecimento da verdade que nos liberta (“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”).
Escrito por José Pinheiro de Souza às 16h36
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345- JESUS FOI O ÚNICO DEUS ENCARNADO QUE NASCEU E MORREU NA CRUZ PARA APAGAR OS NOSSOS PECADOS? (matéria extraída de meu 7º livro ecumênico “O MITO DA UNICIDADE CRISTÔ, em andamento) (13/4/2012) Deus pode nascer e morrer? Que crença absurda! Deus, sendo puro espírito, infinito, imaterial, não pode nascer nem morrer. Nesse contexto, tinham muita razão vários escritores dos primeiros séculos do cristianismo, como, entre outros, Celso (séc. II) e Porfírio (séc. III), os quais diziam: “A Encarnação é um absurdo. Deus, o perfeito, o imutável, não pode rebaixar-se a ponto de se tornar uma criancinha” (apud COMBY, 1996, p. 35). Porfírio (apud COMBY, p. 37) escreveu: Mesmo supondo que algum dos gregos seja bastante obtuso para pensar que os deuses habitam nas estátuas, essa seria uma concepção mais pura que a de admitir que o Divino tenha descido no seio da Virgem Maria, que se tenha tornado embrião, que, após o seu nascimento, tenha sido envolvido em panos, todo sujo de sangue, de bílis e pior ainda [...] . No Concílio de Niceia (ano 325), convocado pelo imperador Constantino, os bispos acrescentaram ao Filho de Deus o adjetivo homoousios, que significa que o Filho tem a mesma ousía, a mesma substância que o Pai – em outras palavras, que é consubstancial ao Pai. Esse termo afirma a perfeita igualdade entre o Pai e o Filho. [...] O acordo de Niceia é rapidamente questionado. Muitos rejeitam o termo homoousios porque não é encontrado nas Escrituras. Outros recordam que a palavra foi utilizada por heréticos que distinguiam de modo errôneo o Pai do Filho. Logo, a maior parte dos orientais recusa a fórmula de Niceia, excetuando-se Atanásio, bispo de Alexandria a partir de 328. O Ocidente latino permanece, de maneira geral, fiel a Niceia (COMBY, p. 92-93). A verdade histórica, porém, é que as interpretações literalistas de Niceia e de Calcedônia, acerca da identidade mítica de Jesus, nunca deixaram de ser contestadas ao longo de toda a história do cristianismo, tendo causado muitos conflitos ideológicos e sérias divisões entre os próprios cristãos. A interpretação literal da encarnação de Deus na pessoa de Jesus é, de fato, uma crença absurda. Na minha visão (e na de muitos outros estudiosos críticos do cristianismo), o maior erro doutrinário do cristianismo é o dogma da divindade de Jesus, segundo o qual Jesus é literalmente Deus encarnado, uma pessoa totalmente divina, com duas naturezas (a divina e a humana). O dogma da divindade de Jesus é, indubitavelmente, o fundamento de todo o cristianismo tradicional. Se esse dogma é literalmente falso, como, de fato, argumento que o é, falsos são também todos os demais dogmas ou mitos cristãos que dependem dessa crença literal na divindade de Cristo, tais como: a trindade, o nascimento miraculoso de Jesus, sua morte expiatória, sua ressurreição dos mortos, sua unicidade salvífica e da religião (ou igreja) por ele supostamente instituída, seu retorno físico por ocasião do suposto juízo final, o batismo das crianças, a maternidade divina e a virgindade perpétua de sua mãe etc. Segundo o ponto de vista que defendo, a crença de que Jesus é literalmente Deus encarnado, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, não é uma verdade histórica, mas um mito, por sinal, o mito cristão fundamental, do qual, repito, dependem todos os demais dogmas ou mitos do cristianismo tradicional. O Jesus histórico nunca declarou ser uma pessoa divina (no sentido literal da palavra). As passagens evangélicas que lhe atribuem tal declaração (por ex., Mateus 26,63-64; Marcos 14,62; João 10,30;14,9-10) foram criações dos evangelistas para enaltecer a sua pessoa e para dar credibilidade exclusiva ao cristianismo dogmático. Nas palavras do escritor inglês John Hick (o maior teólogo pluralista do mundo), o Jesus histórico não advogou para si ser Deus, Filho de Deus, segunda pessoa da Trindade, encarnado, e a doutrina da encarnação é uma criação da Igreja, apenas finalmente definida no Concílio de Calcedônia no ano 451, depois de mais de quatro séculos de muitas lutas e brigas entre as maiores lideranças do cristianismo primitivo (HICK, 1977, p. ix-x). O Jesus histórico não pode ter cometido a blasfêmia de ter declarado ser “Filho de Deus” – no sentido literal, natural – como dogmatizaram os cristãos, fundamentados na mitologia de muitos povos antigos, principalmente na mitologia greco-romana, em que as encarnações e filiações divinas (no sentido natural/biológico) eram vistas como fenômenos normais. Convém sabermos que, como o Cristo da fé, também Hórus (do Egito) era visto como Deus encarnado, o Filho de Deus, o Salvador do mundo, nascido de um parto virginal e filho de uma mãe divina. Como o Cristo mítico, também Hórus era “o Senhor da luz” [...], “o Caminho, a Verdade e a Vida” (HARPUR, 2008, p. 88 e 93). Muitos mitólogos têm defendido, com muita razão, que o “Jesus mítico” foi um produto criado com elementos das antigas divindades mitológicas, como reflete corretamente o escritor vaticanista espanhol Juan Arias (ARIAS, 2001, p. 111-112) nos seguintes termos: E se Jesus fosse apenas um mito construído com elementos das escatologias egípcias? É o que sustentaram, até o final do século XIX, não poucos mitólogos, como Albert Churchward e Joseph Welles. Os defensores da teoria mítica pensam que se tentou incorporar ao personagem Jesus [...] elementos de outros deuses ou personagens religiosos mitológicos de séculos anteriores a ele. Para esses autores, há coincidências interessantes entre o Jesus que os cristãos apresentam e os personagens e deuses anteriores, como Hórus, do Egito; Mitra, da Pérsia; e Krishna, da Índia. Todos nascem de uma virgem. Hórus e Mitra também nascem em 25 de dezembro. Todos fizeram milagres, todos tiveram 12 discípulos que corresponderiam aos 12 signos do zodíaco, todos ressuscitaram e subiram aos céus depois de morrer. Hórus e Mitra foram chamados Messias, Redentores e Filhos de Deus. Krishna foi considerado a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade e foi perseguido por um tirano que matou milhares de crianças inocentes. Além disso, Krishna também se transfigurou, como Jesus, diante de seus três discípulos preferidos, foi crucificado e subiu aos céus. Exatamente como o profeta de Nazaré. Os mitólogos se perguntam: “Precisamos de mais coincidência?” Claro que não. Em face desses e de muitos outros dados históricos que são apresentados em meus livros ecumênicos, ninguém poderá mais duvidar de que o “Jesus mítico” é, de fato, uma incorporação de “elementos de outros deuses ou personagens mitológicos de séculos anteriores a ele” (ARIAS, ibid.). Em minhas obras ecumênicas, mostro que o processo de mitificação de Jesus, ou seja, o da transformação do “Jesus (ou Cristo) real” no “Jesus (ou Cristo) mítico”, do nascimento à paixão e à morte, vem sendo confirmado por todas as pesquisas contemporâneas, as quais comprovam que a imagem do “Cristo (ou Jesus) mítico” é apenas uma criação fantástica, elaborada no curso dos tempos (cf. DONINI, 1965, p. 283).
Escrito por José Pinheiro de Souza às 23h58
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344- SOMENTE OS MILAGRES ATRIBUÍDOS A JESUS TÊM VALOR HISTÓRICO? (matéria extraída de meu 7º livro ecumênico “O MITO DA UNICIDADE CRISTÔ, em andamento) (4/4/2012) De forma alguma. É preciso também combater, como faço em minhas obras ecumênicas, duas atitudes exclusivistas e errôneas da maioria dos cristãos: 1) a crença de que os milagres supostamente realizados por Jesus são provas de sua divindade e 2) a crença de que somente os milagres atribuídos a Jesus têm valor histórico, os demais milagres atribuídos a outros líderes religiosos do mundo sendo considerados como “magia” ou como relatos puramente mitológicos, sem nenhum valor histórico. Por que essa discriminação? Essas atitudes são totalmente falsas (mentirosas), pois os milagres não constituem por si mesmos um critério suficiente para julgar a origem divina ou humana de uma pessoa, uma vez que o próprio Jesus teria afirmado que milagres podem também ser realizados por “falsos Cristos e falsos profetas”: “Surgirão falsos Cristos e falsos profetas e farão grandes milagres” (Mateus 24, 24). A crença cristã segundo a qual somente os milagres atribuídos a Jesus têm valor histórico, os demais milagres atribuídos a outros líderes religiosos do mundo sendo considerados como “magia” ou como relatos puramente mitológicos, sem nenhum valor histórico, é inteiramente falsa, mentirosa, uma vez que todos os tipos de milagres atribuídos a Jesus no Novo Testamento já tinham sido supostamente realizados por outros líderes religiosos do mundo. “Na mitologia religiosa, todos os tipos de milagres são possíveis” (HASSNAIN, 1999, p. 73). Logo, para quem acredita no mito da divindade de Jesus, isto é, que ele seja literalmente Deus encarnado, todos os tipos de milagres são possíveis, inclusive os que aparentemente anulam as leis da natureza. Aliás, para os cristãos dogmáticos, todos os milagres atribuídos a Jesus no Novo Testamento tinham a função de provar que ele era realmente um ser divino, com poderes singulares e exclusivos, em relação aos outros milagreiros. Por isso mesmo, a maioria dos cristãos, na sua convicção de Jesus ser literalmente Deus encarnado, acredita que ele fez vários milagres que supostamente anulam as leis da natureza, como ressuscitar mortos, acalmar uma tempestade, andar sobre as águas, multiplicar pães, transformar água em vinho, mudar a substância do pão e do vinho em seu próprio corpo e sangue etc. Mesmo na hipótese de que Jesus tenha, de fato, realizado todos esses milagres, não é justo os cristãos pensarem que esses tipos de milagres tenham sido realizados única e exclusivamente por Jesus, uma vez que prodígios dessa natureza são igualmente atribuídos a inúmeros outros personagens da literatura religiosa deste planeta: sabe-se, por exemplo, que o profeta Eliseu (cf. 2Reis 4,42-44) também “multiplicou” pães, um discípulo de Buda também “andou” sobre as águas do rio Acivarati (cf. FUNK & THE JESUS SEMINAR,1998, p. 207) e vários profetas, como Elias e Eliseu (1Reis 17; 2Reis 4), também “ressuscitaram” mortos etc. Quanto à interpretação exclusivista de Jesus ter sido o único que transformou água em vinho, convém esclarecer, com os especialistas em história das religiões, que os deuses Hórus (do Egito) e Dioniso (da Grécia) também transformaram água em vinho. Dioniso era um deus do vinho (cf. HARPUR, 2009, p. 112-113). No Capítulo 2 do Evangelho de João, encontra-se a narrativa do primeiro milagre atribuído a Jesus, o da transformação da água em vinho, nas bodas de Caná. Este “milagre”, interpretado ao pé da letra, como fato histórico e exclusivo do cristianismo, é uma grande mentira sobre Jesus, mas, interpretado simbolicamente, tem um grande valor espiritual, conforme esclarece Tom Harpur nos seguintes termos: Todos os que conhecem bem não só a Bíblia judaico-cristã, como também as outras “Bíblias” ou escritos sagrados do antigo Oriente Próximo, sabem que o simbolismo do vinho é quase uma constante. Muitos deuses da Antiguidade eram deuses do vinho, desde Hórus no Egito até Dioniso ou Baco nas antigas Grécia e Roma. Como observei em meu livro The Spirituality of Wine [“A Espiritualidade do Vinho”], o vinho, as uvas e os vinhedos são mencionados centenas de vezes, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. O vinho [...] era o símbolo perfeito do milagre da Encarnação – modelo, hieróglifo ou analogia do Cristo em cada um de nós. Portanto, a metáfora tão sugestiva de transformar a água em vinho é uma maneira realmente poderosa de condensar o verdadeiro sentido da história de Jesus: a transformação que acontece quando o segredo de estarmos totalmente vivos e conscientes, como filhos e portadores da Luz interior, se revela a nós (HARPUR, 2009, p. 112-114).
Escrito por José Pinheiro de Souza às 15h59
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343- JESUS FOI O ÚNICO QUE SUBIU AO CÉU, SENTOU-SE À DIREITA DE DEUS, DE ONDE RETORNARÁ PARA JULGAR A HUMANIDADE? (matéria extraída de meu 7º livro ecumênico “O MITO DA UNICIDADE CRISTÔ, em andamento) (3/4/2012) Tudo isso não passa de crenças mitológicas e parabólicas sobre Jesus. No Evangelho de Marcos, está escrito: “Ora, o Senhor Jesus, depois de lhes ter falado, foi arrebatado ao céu e sentou-se à direita de Deus” (Marcos 16,19) (negrito meu). No Evangelho de Lucas, temos a seguinte passagem sobre a “ascensão de Jesus: “Depois, levou-os até Betânia e, erguendo as mãos, abençoou-os. E enquanto os abençoava, distanciou-se deles e era elevado ao céu” (Lucas 24,50-51). Nos Atos dos Apóstolos, escrito pelo mesmo Lucas, existe outra passagem que fala da subida física de Jesus ao céu e de seu retorno físico, nos seguintes termos: “Dito isso, elevou-se à vista deles, e uma nuvem o ocultou a seus olhos. E como fitassem o céu enquanto ele ia, eis que apareceram junto deles dois homens vestidos de branco, que lhes disseram: ‘Homens da Galileia, que estais aí a contemplar o céu? Esse Jesus, que vos foi arrebatado, virá do mesmo modo que para o céu o vistes partir’ “ (Atos 1,9-11) (negrito meu). A suposta subida física de Jesus aos céus e o seu retorno físico, ou seja, sua segunda vinda física apocalíptica, para julgar a humanidade, são lendas sobre Jesus, e não verdades históricas (exclusivas do cristianismo). Se Jesus não ressuscitou fisicamente, como é que ele pode ter subido ao céu fisicamente, de onde retornará fisicamente para julgar a humanidade, por ocasião do suposto fim do mundo? Convém repetir que a humanidade, na visão espírita (que sigo), não terá um fim, mas uma transformação, na época de sua regeneração. Será o fim do mundo velho, a decadência das ideias antigas. Além disso, a frase “e ele foi arrebatado ao céu”, como nos informa o escritor Bart D. Ehrman, é um acréscimo significativo, para ressaltar a fisicalidade da partida de Jesus por ocasião de sua suposta ascensão ao céu, a qual, no Evangelho de Lucas ocorreu no mesmo dia da aparição de Jesus como ressuscitado, mas que, nos Atos dos Apóstolos, escrito pelo mesmo Lucas, teria ocorrido somente quarenta dias depois de sua aparição como ressuscitado (cf. EHRMAN, 2006, p. 179). A própria expressão “subir ao céu”, como no caso da ascensão de Jesus e de outros personagens bíblicos (como Elias), é um simbolismo parabólico, baseado na visão tripartida do mundo: céu (em cima), inferno/lugar dos mortos (embaixo) e terra (no meio). Esse erro e inúmeros outros, que existem tanto no Novo Testamento como no Antigo Testamento, são provas de que a Bíblia, literalmente interpretada, não é isenta de erros e, portanto, a Bíblia inteira não é a “Palavra de Deus”, mas palavras dos homens, pois Deus não pode errar nem contradizer-se, e a Bíblia, literalmente interpretada, está cheia de erros, mentiras, contradições, alterações e variações (cf. SOUZA, 2010a). Para concluir a resposta da presente pergunta, reafirmo que tudo não passa de mentiras sobre Jesus afirmar que ele ressuscitou fisicamente, subiu ao céu fisicamente (ascensão), sentou-se à direita de Deus, onde ainda se encontra, esperando para retornar fisicamente, em glória (parusia), a fim de julgar a humanidade, enviando os bons para o céu e os maus para o inferno eterno.
Escrito por José Pinheiro de Souza às 00h51
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342- JESUS FOI O ÚNICO QUE RESSUSCITOU FISICAMENTE? (matéria extraída de meu 7º livro ecumênico “O MITO DA UNICIDADE CRISTÔ, em andamento) (2/4/2012) Não. De acordo com a Doutrina Espírita (que sigo), não existe “ressurreição”, no sentido da volta de alguém à vida no mesmo corpo físico que tinha antes de morrer. Nesse sentido, não existe “ressurreição”, mas “reencarnação”, ou seja, a volta do espírito em um novo corpo físico, mas não no seu próprio corpo físico que tinha antes de morrer. Defendemos também a tese de que a “morte” não existe; somente o corpo físico é que morre, e não o espírito, que é imortal. O corpo físico também não ressuscita; após sua morte, suas moléculas formam novos organismos. De acordo com essa nossa visão, Jesus não “ressuscitou”, no sentido comum de “ressurreição” como o retorno à vida no mesmo corpo físico que se tinha antes de morrer. Mais explicitamente, Jesus, de fato, nem “morreu” nem “ressuscitou” (fisicamente), porque ninguém “morre” (a morte não existe). É por demais conhecida a afirmação de que nada, de fato, morre no universo, tudo apenas se transforma. O que inadequadamente chamamos de “morte” é apenas o descarte de nossa vestimenta física, ou seja, de nosso corpo físico, que não é parte essencial de nossa natureza (pois somos essencialmente “espíritos”). Nosso corpo é apenas uma vestimenta temporária de trabalho, adequada ao plano físico-material do planeta em que vivemos. Quando essa vestimenta de trabalho não mais cumpre sua função, desfazemo-nos dela, continuando a viver num outro plano, com nosso “corpo espiritual” ou “corpo de ressurreição”, para usar uma terminologia bíblica, corpo esse que é formalmente idêntico ao corpo físico, mas diferente na substância (ele é fluídico). É com esse “corpo espiritual” que muitas pessoas, depois de “mortas”, se manifestam concretamente, “aparecem” (materializadas) aos “vivos” para demonstrar que a morte não existe (como no caso das aparições de Jesus) ou para comunicar-nos determinadas mensagens (como ocorre em algumas sessões espíritas). Esse tipo de “ressurreição de mortos”, isto é, esse fenômeno de aparições de “mortos” sempre ocorreu e continua ocorrendo na humanidade. Nesse sentido, todos nós podemos “ressuscitar” dos mortos. Por conseguinte, na visão espiritualista/espírita que adoto, afirmar que Jesus “ressuscitou dos mortos” significa dizer, precisamente, que ele, após sua “morte’, ou melhor, após seu “desencarne”, “apareceu” (materializado), com seu corpo espiritual (e não com seu corpo físico), a várias pessoas, para demonstrar que ele não morreu e que a morte não existe. Mas, como bem elucida o escritor espírita Hermínio C. Miranda, não é Jesus o primeiro, e está longe de ser o último, que se manifestou concretamente, ou seja, objetivamente e até materializado a homens, mulheres e crianças, depois de “morto”, em seu corpo espiritual (MIRANDA, 1988, p. 116). Mas, se a materialização (aparição) de “mortos” é um fenômeno comum, como, de fato, o é, cai logicamente por terra o caráter único, exclusivo, extraordinário e miraculoso da ressurreição (= materialização) de Cristo. Para os espiritualistas espíritas, repito, a “morte não existe”. Na realidade, se, como diz a ciência, “na natureza nada morre, tudo se transforma”, é uma contradição de termos afirmar que o homem “morre”. O homem não morre, apenas continua a viver com um corpo mais leve, mais sutil, fluídico (o chamado “corpo espiritual”), após descartar o corpo velho, pesado, físico-material, o qual passa a ser cadáver que será decomposto na sepultura, cujas moléculas formarão novos organismos e que, portanto, jamais foi ou será “reanimado” (ou revivificado/ressuscitado fisicamente). Nesse sentido, por conseguinte, a “ressurreição” de Cristo significa a sua “sobrevivência” com seu “corpo espiritual”, após o descarte de seu corpo físico, o qual nunca foi (nem será jamais) revivificado. Esses dois tipos de corpos (o corpo físico e o corpo espiritual) se assemelham em tudo, menos na matéria de que são feitos: o corpo espiritual (chamado no espiritismo de “perispírito”) é sutil, fluídico, leve, enquanto o corpo físico é denso, pesado. Convém esclarecer que o apóstolo Paulo acreditava na ressurreição física de Cristo, bem como na de todos os mortos, mas com o corpo físico transformado num corpo espiritual, glorioso, imortal: “O mesmo se dá com a ressurreição dos mortos: semeado corruptível, o corpo ressuscita incorruptível; semeado desprezível, ressuscita reluzente de glória; semeado na fraqueza, ressuscita cheio de força; semeado corpo psíquico, ressuscita corpo espiritual” (1Coríntios 15,42-44). O grande erro (ou a grande mentira) de Paulo (e de todos os demais cristãos dogmáticos) é acreditar que haverá “ressurreição dos mortos”, sim, com seus mesmos corpos físicos que tinham antes de morrer, porém transformados em corpos espirituais, gloriosos, imortais, o que não é verdade, pois o corpo físico, depois de sua morte, jamais será transformado em corpo espiritual e jamais retornará a este plano físico. Ele se decomporá em moléculas que formarão novos organismos, como comprova a ciência. Nesse contexto, enquanto a Bíblia garante que, por ocasião do suposto Juízo Final, todos os corpos “ressuscitarão”, ou seja, todos sairão das sepulturas, mesmo que transformados, e voltarão à sua existência físico-material, a Ciência comprova que isso é impossível, uma vez que, com a desintegração física dos cadáveres nas sepulturas, suas moléculas passam a formar novos organismos. Como poderiam essas moléculas retornar (por ocasião do suposto Juízo Final) aos corpos enterrados e decompostos há séculos ou há milênios, cujas moléculas já serviram para compor milhares de outros organismos? O dogma cristão da ressurreição da carne é, por conseguinte, literalmente falso, mentiroso. Jesus, portanto, não ressuscitou com seu corpo físico transformado num corpo espiritual, no sentido paulino, mas apenas apareceu materializado em seu corpo espiritual, após seu desencarne. O núcleo da fé cristã tradicional (“paulinismo”) é a crença na ressurreição de Jesus. Esse é indubitavelmente o dogma central do cristianismo ortodoxo. Sem a crença no dogma da “ressurreição de Jesus”, desmorona toda a fé cristã ortodoxa, como bem expressa o próprio apóstolo Paulo, principal fundador do cristianismo dogmático e mítico, na seguinte passagem do Novo Testamento: “Se Cristo não ressuscitou, vazia é nossa pregação, vazia também é a vossa fé” (1Coríntios 15,14). Para concluir a resposta da presente pergunta, reafirmo que o que é verdade não é, portanto, a crença irracional cristã na “ressurreição da carne (ou dos mortos)”, com seus corpos físicos transformados em corpos espirituais, mas a doutrina racional espiritualista/espírita da “reencarnação”, ou seja, do retorno de nossa alma (ou espírito) em novos corpos físicos, neste ou em outros planetas, quantas vezes isso for necessário para a nossa evolução espiritual.
Escrito por José Pinheiro de Souza às 17h57
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341 - BLOG DO PINHEIRO: QUARTO ANIVERSÁRIO (1/4/2012) Hoje está fazendo quatro anos que inaugurei este blog, no qual já publiquei 341 matérias e o qual já teve mais de 37 mil acessos e cerca de 500 comentários. Agradeço a todos os que já o visitaram, particularmente aos que lhe fizeram comentários, positivos ou mesmo negativos, uma vez que ninguém está obrigado a concordar com meus pontos de vista sobre os assuntos abordados nele. Para comemorar o quarto aniversário deste blog, republico as mensagens do além de 5 espíritos desencarnados que fazem elogios às minhas obras ecumênicas: Como acredito em mediunidade e em psicografia, republico hoje, para comemorar OS QUATRO ANOS DE EXISTÊNCIA DESTE BLOG, mensagens de cinco espíritos desencarnados, através de médiuns espíritas kardecistas, mensagens positivas às minhas obras ecumênicas, prova de que esse meu trabalho é, de fato, uma tarefa ou missão ecumênica que me foi confiada pela Espiritualidade. A 1ª mensagem do além, recebi-a em fevereiro de 2005, quando participava do 14º Encontro para a Nova Consciência, realizado em Campina Grande, Paraíba, de 4 a 8 de fevereiro de 2005. Nesse mês eu ainda estava com muitas dúvidas se deveria ou não publicar meu 1º livro ecumênico (“Entrevistas com Jesus”). De repente, apareceu-me um dos participantes do Encontro, que eu nunca tinha visto em minha vida, aproximou-se de mim, tocou no meu ombro, e me disse: “Sr. Pinheiro, sou um médium espírita kardecista e acabo de receber uma mensagem de um espírito desencarnado, pedindo-me para dizer ao Senhor que não tenha medo de publicar o seu livro “Entrevistas com Jesus: reflexões ecumênicas”, o qual vai fazer um grande bem à humanidade”. Essa mensagem foi igualmente ouvida por minha e esposa (Iaci) e por minha filha (Jocely), que também participavam do referido Encontro e que estavam perto de mim na hora em que o médium me transmitiu a mensagem vinda do além. Depois da referida mensagem, perdi o medo de publicar meu livro e, assim que voltei para Fortaleza, procurei uma gráfica para publicar 1.500 exemplares da referida obra, que a lancei no dia 21 de junho do mesmo ano, edição esgotada. A 2ª mensagem que recebi foi de três espíritos desencarnados, através da psicografia do médium espírita kardecista Aélio Rocha, em 2006, durante uma palestra que ministrava numa casa espírita de Fortaleza sobre meu livro “Entrevistas com Jesus”, palestra essa que foi ministrada no Centro Espírita Antônio Alves de Linhares, Fortaleza-CE, no dia 29 de agosto de 2006. Eis o texto dos três espíritos desencarnados: “Chegamos, meus amigos terráqueos, ou melhor, habitantes do Planeta Terra (presença na casa espírita). Somos aparelhos vindos de outros planos. Na verdade, estamos bem mais em trabalho no plano terrestre, circulando também nos cosmos celestiais desse mundo a fora. Carregados de amor, estamos aqui presentes para assistirmos juntos essa palestra do Prof. Pinheiro. Muito boa vontade do nobre Prof. Pinheiro, ecumênico por natureza agora, uma vez que antes era católico. Houve mudanças, um afloramento do Espírito do Prof. Pinheiro. Parabéns por esta obra magnífica e tão bem aproveitável na maneira da busca do conhecimento ecumênico. É preciso que tenhamos consciência cada vez mais para a abertura de novas ideias e sabedoria. Não podemos ficar à mercê de apenas uma religião, como diz o autor. É pela religião do amor, o amor ao próximo e a Deus, que chegaremos à evolução da humanidade. Portanto, queiram ler esta obra e conhecerão muitas verdades até então desconhecidas por milhares de pessoas. Reconhecemos o bem que esta obra fará para todos aqueles que adquirirem o livro. Sejam leitores assíduos das boas obras literárias, não só precisamente da religião a que pertençam. Façam uma boa leitura e tirem suas próprias conclusões.” Psicografia: Aélio Rocha (médium espírita kardecista) Local: Centro Espírita Antônio Alves de Linhares Fortaleza-CE, 29/08/2006. Trabalhadores espirituais desencarnados autores da mensagem: Carla Veridiana (terapeuta) Júnior Guimarães (afazeres espirituais) e Tito Donadone (italiano interessado na obra literária) A 3ª mensagem espiritual que recebi do alto foi em 2008, do famoso Espírito Dom Hélder Câmara (ex-bispo cearense, nascido em 7 de fevereiro de 1909 e falecido em Recife, PE, no dia 27 de agosto de 1999. Recebi sua mensagem através da psicografada do médium kardecista pernambucano Carlos Pereira, no autógrafo do livro “Novas Utopias”, lançado em Fortaleza, no dia 1º de fevereiro de 2008, na FEEC (Federação Espírita do Estado do Ceará). Esse autógrafo de Dom Hélder Câmara convenceu-me de que estou realmente cumprindo uma tarefa para oferecer o melhor de mim para todos os meus irmãos, conforme suas próprias palavras: “Pinheiro, Tuas mãos trazem a sabedoria dos homens irrequietos que procuram, de toda sorte, oferecer o melhor de si para todos os seus irmãos. Continue nesta tarefa, irmão. Deus te abençoe. Hélder Câmara, 1º fev/2008.” Confesso que fiquei deveras muito emocionado ao ler esse belíssimo autógrafo do Espírito Dom Hélder Câmara, através do médium Carlos Pereira, o qual faz implicitamente boa referência ao meu trabalho ecumênico e me pede para continuar nesta tarefa. Vou concluir esta matéria com a seguinte frase de Madre Tereza de Calcutá: "Nós mesmos sentimos que o que fazemos é uma gota no oceano. Mas o oceano seria menor se essa gota faltasse" (Madre Tereza de Calcutá). Essa frase de Madre Tereza me anima muito a continuar com essa minha tarefa espiritual de escrever “gotinhas” de matérias no “oceano” ecumênico, em busca da verdade que nos liberta ("Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará").
Escrito por José Pinheiro de Souza às 09h12
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340- A IGREJA CATÓLICA É A ÚNICA DONA DA VERDADE? (matéria extraída de meu 7º livro ecumênico “O MITO DA UNICIDADE CRISTÔ, em andamento) (31/3/2012) De modo algum. Desde o século IV, a Igreja Católica considera-se a dona absoluta e exclusiva da verdade religiosa. Para ela, todas as outras religiões são falsas, mentirosas. Na terceira encíclica do Papa Bento XVI (publicada no dia 7 de julho de 2009), intitulada Caritas in Veritate (A CARIDADE NA VERDADE) (disponível na Internet), Bento XVI continua defendendo a tese exclusivista e fundamentalista, segundo a qual a Igreja Católica é a única portadora da verdade religiosa e, logo, FORA DA VERDADE DA IGREJA CATÓLICA NÃO HÁ CARIDADE, NEM SALVAÇÃO! A caridade, nas palavras de Bento XVI, “há de ser compreendida e praticada sob a luz da verdade [obviamente da verdade católica]” (A Caridade na Verdade, n. 2). “Só na verdade é que a caridade refulge e pode ser autenticamente vivida” (A Caridade na Verdade, n. 3). Em outros termos, para o Papa Bento XVI, NÃO EXISTE CARIDADE (NEM SALVAÇÃO) FORA DA VERDADE ENSINADA PELA IGREJA CATÓLICA. Ele inicia sua encíclica com esta declaração exclusivista: A caridade na verdade, que Jesus Cristo testemunhou com sua vida terrena e sobretudo com a sua morte e ressurreição, é a força propulsora principal para o verdadeiro desenvolvimento de cada pessoa e da humanidade inteira. (A Caridade na Verdade, parágrafo 1) (negrito meu) Esta declaração de Bento XVI é exclusivista, e não pluralista, pelo fato de ele declarar explicitamente que a caridade, baseada sobretudo na verdade cristã da morte e ressurreição de Jesus Cristo, “é a força propulsora principal para o verdadeiro desenvolvimento de cada pessoa e da humanidade inteira” (negrito meu). Por conseguinte, de acordo com essa crença cristã exclusivista e fundamentalista, quem não adere à verdade cristã da salvação pela fé em Cristo morto e ressuscitado, não pode viver a caridade e nem salvar-se, ou seja, não pode libertar-se e evoluir espiritualmente. Isso é verdade ou mentira? Claro que é, segundo a fé raciocinada, uma grande mentira. Essa velha doutrina exclusivista do catolicismo, apoiada em várias passagens bíblicas (por ex., Atos 4,12; 1Timóteo 2,4-6, 1Timóteo 3,15), está também expressa em muitos documentos do Vaticano, principalmente, como já vimos, na Declaração Dominus Iesus, do ano 2000, de autoria de Joseph Ratzinger (hoje o Papa Bento XVI), em que ele reafirma que só a Igreja Católica possui a plenitude da verdade. A tese exclusivista da salvação somente pelo conhecimento da verdade católica é também claramente expressa na seguinte passagem do Catecismo da Igreja Católica: Deus quer a salvação de todos pelo conhecimento da verdade. A salvação está na verdade. Os que obedecem à moção do Espírito de verdade já estão no caminho da salvação; mas a Igreja, a quem esta verdade foi confiada, deve ir ao encontro de seu anseio, levando-lhes a mesma verdade.(Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 851) (negrito meu) Que tese absurda! Jesus, no Sermão da Montanha, o cerne de sua doutrina autêntica, não ensina que é preciso aderir às verdades de determinada religião para “salvar-se”, ou seja, para alcançar o Reino de Deus. Ele ensinou que os bem-aventurados, os cidadãos do reino dos céus, são os “pobres pelo espírito”, são os “puros de coração”, são os “mansos”, os que “sofrem perseguição por causa da justiça”, são os “pacificadores”, são os “misericordiosos” e “os que choram”, são os que “amam aos que os odeiam” e “fazem bem aos que lhe fazem mal” (ROHDEN, 2007, p. 16). Para o Papa Bento XVI, porém, que tem um terrível medo do “pluralismo religioso”, rotulado por ele mesmo de a “ditadura do relativismo”, não existe equivalência funcional das religiões, continuando a defender a velha tese exclusivista e fundamentalista, de suposta autoria de Paulo de Tarso, segundo a qual “a Igreja é a coluna e o fundamento da verdade” (1Timóteo 3,15). Logo, FORA DA VERDADE (DA IGREJA CATÓLICA) NÃO HÁ CARIDADE NEM SALVAÇÃO, tese essa totalmente inconciliável com os ensinamentos pluralistas do verdadeiro Jesus de Nazaré. Se a Igreja Católica é a única portadora da verdade religiosa, todas as outras religiões deste planeta estão totalmente erradas. Argumento, em minhas obras ecumênicas, que essa doutrina básica do catolicismo é inteiramente falsa. Como todos os meus leitores já sabem, mas não me cansarei de repetir, emprego o termo “amor” no sentido de “caridade”, ou seja, o ato de ajudar uma pessoa em estado de necessidade, sem esperar nenhum tipo de recompensa. Para praticar esse tipo de amor (o amor-caridade), não precisamos aderir a nenhum credo religioso ou filosófico. Existem muitos ateus que praticam mais amor-caridade do que muitos que se dizem seguidores de determinada religião ou filosofia. Para mim, como já disse inúmeras vezes, a verdadeira religião, ou melhor a verdadeira religiosidade (ou espiritualidade) não consiste em se aderir a crenças, a dogmas ou a mitos de Religião A ou B, mas em vivenciar o amor-caridade, pois, como bem expressa o espiritismo, FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO! A Doutrina Espírita não ensina que FORA DO ESPIRITISMO NÃO HÁ SALVAÇÃO, ou seja, que FORA DA VERDADE ESPÍRITA NÃO HÁ SALVAÇÃO, mas que FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO, ou melhor, LIBERTAÇÃO ou EVOLUÇÃO ESPIRITUAL. Devemos discordar, portanto, de todas as religiões e/ou filosofias que põem suas verdades acima da caridade, como vem fazendo a Igreja Católica há dois mil anos. O amor-caridade (que nos une) deve estar acima das crenças (que nos dividem). Insisto nesse tema maior de minhas obras ecumênicas, por acreditar que somente o amor-caridade será capaz de unir a humanidade, atualmente tão dividida por milhares de crenças religiosas exclusivistas. Infelizmente, muitos “religiosos” de nosso planeta ainda põem suas crenças (suas “verdades”, seus dogmas, seus mitos, sua religião) acima do amor-caridade, chegando mesmo a matar o próximo em nome de sua fé, de sua verdade religiosa, como sempre ocorreu no mundo das religiões, particularmente no cristianismo dogmático e mítico, fundado por Paulo de Tarso, o qual criou a doutrina mítica da salvação exclusivamente pela fé (sola fides), ou seja, pela “fé cega” no Cristo morto e ressuscitado, em contradição com sua própria afirmação, em sua Primeira Epístola aos Coríntios (cap. 13), de que o amor é maior do que a fé. Conforme já sabemos, a verdade central da Igreja Católica, bem como das igrejas protestantes, consiste na crença de que Jesus é literalmente Deus encarnado, o único Salvador da humanidade, mediante seu sangue derramado na cruz. Quem não crê nessas verdades (ou melhor, conforme meu atual ponto de vista, nessas mentiras cristãs), está condenado ao inferno eterno. Para defender suas verdades exclusivistas e fundamentalistas, o catolicismo passou a ser, desde o século IV, como já disse, a religião mais cruel, dominadora e intransigente dentre todas as religiões deste planeta. Quem, durante os 600 anos de sua “Santa Inquisição” (também denominada de “Tribunal do Santo Ofício”), não acreditava nas verdades católicas era queimado vivo na fogueira. Segundo vários pesquisadores, a Inquisição católica foi responsável pelo extermínio de muita gente ao longo de seus 600 anos (1226-1826). Alguns estudiosos do cristianismo falam que a Inquisição católica foi responsável pela morte de mais de um milhão de pessoas: As inquisições católicas, em seu todo, mataram centenas de milhares de católicos dissidentes, hereges e supostos bruxos (alguns estudiosos falam em mais de um milhão). Começando na França, no século XIII, as inquisições eram uma rede de tribunais autorizados pelos papas para investigar os acusados de heresia. [...] Os inquisidores eram padres que não tinham escrúpulos de usar tortura para arrancar confissões. A violência e as execuções só chegaram ao fim quando a última vítima foi enforcada em Valência, em 1826 (CORNWELL, 2002, p. 213) (negrito meu).
Escrito por José Pinheiro de Souza às 11h27
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340- A IGREJA CATÓLICA É A ÚNICA DONA DA VERDADE? (Cont.) Convém esclarecer que o Tribunal do Santo Ofício continua vivo na Igreja Católica, com o nome oficial de “Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé”, instituição que continua a perseguir os dissidentes do catolicismo, não mais de formas violentas e sangrentas, como na época da velha Inquisição, mas com outras formas de violência, como excomunhões dos dissidentes da Igreja Católica, queima de seus livros, proibições de eles lecionarem em instituições católicas, discriminação contra os milhares de padres casados etc. Em outros termos, padres, teólogos e/ou escritores católicos contemporâneos que questionam qualquer dogma ou norma moral do catolicismo sofrem os efeitos punitivos do ex-Santo Ofício (Congregação para a Doutrina da Fé). Assim, por exemplo, o padre jesuíta indiano Anthony de Mello, falecido em 1987, autor de vários livros traduzidos em muitos países do mundo, teve seus livros condenados pelo ex-Santo Ofício por defender a ideia pluralista de que Jesus foi um mestre ecumênico junto com outros, que ele não era literalmente Deus encarnado nem Filho de Deus no sentido natural do termo. Em 1990, o Vaticano retirou a licença do Padre Charles Curran, um teólogo da Universidade Católica em Washington, capital dos Estados Unidos, porque ele, por cerca de vinte anos vinha criticando a encíclica papal Humanae Vitae (doutrina de Paulo VI sobre controle de natalidade) (cf. CORNWELL, p. 209). Em 1994, o Vaticano mandou queimar todos os exemplares do livro da escritora inglesa e teóloga católica Irmã Lavinia Byrne, intitulado Woman at the Altar [Mulher no Altar], livro que defendia a possibilidade da ordenação de mulheres e também declarava que a anticoncepção era um passo importante na libertação feminina no século XX (cf. CORNWELL, p. 203). Em 1997, o Padre Tissa Balasuriya, de 72 anos, do Sri Lanka, foi excomungado pelo Vaticano, por ter sido considerado herético, uma vez que ele dizia em seus livros que a divindade de Cristo e a inspiração da Bíblia só se encontram na doutrina da Igreja, “não vêm necessariamente direto de Jesus”, ou seja, do Jesus histórico (cf. CORNWELLL, p. 227). Ele também manifesta dúvidas sobre a virgindade de Maria: “Devido ao desejo de afirmar certa perspectiva de santidade, houve uma tendência a atribuir virgindade perfeita e perpétua a Maria, mesmo quando a própria prova bíblica é de importância duvidosa” (CORNWELLL, ibid.). Ele julga o pecado original aberto a questionamento, “como proposto na teologia tradicional” (ibid.), e duvida se “o batismo era essencial para a salvação e a vida espiritual” (ibid.). Além disso, afirma que a doutrina tradicional do pecado original é um entrave para os povos da Ásia: “Em nossos países, essa ideia de que os seres humanos nascem alienados do criador pareceria um conceito abominável do divino. Acreditar que gerações inteiras de continentes inteiros viveram e morreram com menos possibilidades de salvação é repugnante à ideia de um Deus justo e amoroso” (ibid.). Ele também negava todos os dogmas marianos (ibid.). Em 1978, o teólogo holandês Edward Schillebeeclex foi humilhado e interrogado em Roma por ousar enfatizar a humanidade de Cristo numa obra erudita. No mesmo ano, Hans Küng [famoso escritor e padre suíço] foi proibido de chamar-se teólogo católico, porque levantara questões sobre o escopo da infalibilidade papal. Em 1984, Frei Leonardo Boff, um expoente da teologia da libertação no Brasil, foi punido e depois deixou o sacerdócio. [...] Em julho de 1998, outro destacado padre católico sofreu interdição do Vaticano. O Padre Paul Collins é um conhecido escritor e homem de rádio e televisão australiano. Seu livro Papal Power [Poder do Papa], publicado em 1997, contestava a atual ideologia de autoridade papal como não histórica (CONRWELL, p. 217; 220). O Cardeal Joseph Ratzinger (hoje o Papa Bento XVI), em sua última homilia como cardeal, no dia 18 de abril de 2005, poucas horas antes que se iniciasse o conclave que o elegeu Papa, fez o seguinte comentário sobre as correntes ideológicas que mais ameaçam a fé católica na presente década, dando destaque especial ao que ele chama de “ditadura do relativismo”, que é, segundo ele, a maior ameaça atual às verdades da fé católica: Quantos ventos de doutrina, conhecemos nestas últimas décadas, quantas correntes ideológicas, quantos modos de pensar... A pequena barca do pensamento de muitos cristãos foi agitada, não raramente, por estas ondas – jogada de um extremo a outro: do marxismo ao liberalismo, até o libertinismo; do coletivismo ao individualismo radical; do ateísmo a um vago misticismo religioso; do agnosticismo ao sincretismo e assim por diante. Todos os dias, nascem novas seitas e acontece o que disse São Paulo sobre o engano dos homens, sobre a astúcia que tende a empurrar para o erro. Ter uma fé clara, segundo o Credo da Igreja, é frequentemente rotulado como fundamentalismo, enquanto o relativismo, isto é, o deixar-se levar “por qualquer que seja o vento da doutrina”, aparece como o único gesto apropriado para os tempos de hoje. Vai-se constituindo uma ditadura do relativismo que não reconhece nada como definitivo e que deixa como última medida somente o próprio eu e suas vontades. Nós, ao contrário, temos uma outra medida: o Filho de Deus, o verdadeiro homem. Ele é a medida do verdadeiro humanismo. “Adulta” não é uma fé que segue as ondas da moda e a última novidade; adulta e madura é uma fé profundamente enraizada na amizade com Cristo... E é esta fé – só a fé – que cria a unidade e se realiza na caridade. (Apud TORNIELLI, 2006, p. 33-34) (negrito meu). Na visão espírita que defendo, “adulta e madura” é a “fé raciocinada” (“aquela que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da humanidade”), e não a “fé cega”, isto é, a fé que não admite interferência da razão, nem atualizações em assuntos doutrinários. Outro questionamento que faço é este: se a Igreja Católica é realmente a dona exclusiva e absoluta da verdade religiosa, a Igreja de Deus (fundada pelo próprio Deus, que é Amor e Verdade), como justificar, então, seus inúmeros erros doutrinários e seus milhares de crimes hediondos, cometidos durante os 600 anos de sua “Santa Inquisição”? Em face de todas as atrocidades e crueldades cometidas pela Igreja Católica, ao longo de dois mil anos, não podemos concordar, à luz da “fé raciocinada”, que ela seja a dona absoluta da verdade religiosa. Por isso, é preciso muito diálogo inter-religioso aberto e sincero para se saber quem realmente está mais próximo da verdade religiosa. Para concluir essa longa resposta deste livro “O Mito da Unicidade Cristã”, reafirmo (com o Espiritismo) que não é preciso aderirmos às verdades ou aos dogmas de fé (cega) de nenhuma religião ou filosofia, para vivenciarmos o amor-caridade, pregado e vivido por Jesus (e por muitos outros líderes religiosos deste planeta). O Espiritismo está corretíssimo ao nos ensinar que FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO!
Escrito por José Pinheiro de Souza às 11h16
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339- A IGREJA CATÓLICA É O ÚNICO MEIO DE SALVAÇÃO? (matéria extraída de meu 7º livro ecumênico “O MITO DA UNICIDADE CRISTÔ, em andamento) (30/3/2012) De forma alguma. Uma das crenças exclusivistas fundamentais da Igreja Católica, pelo menos até o Concílio Vaticano II (1962-1965), era esta: “FORA DA IGREJA NÃO HÁ SALVAÇÃO”. Vejamos a esse respeito o que declarou oficialmente o Concílio Ecumênico de Florença (1442): A santa Igreja Católica Romana... firmemente acredita, confessa e proclama que ninguém que esteja fora da Igreja Católica – pagão, judeu, descrente ou cismático – poderá ser salvo; será, ao contrário, condenado ao fogo eterno preparado para o demônio e seus anjos, a não ser que retorne [à Igreja Católica] antes de sua morte. (Apud KÜNG, Hans. Is there one true religion? An essay in establishing ecumenical criteria. In: HICK, John & HEBBLETHWAITE, Brian (Orgs.). Christianity and other religions. Oxford: Oneworld, 2001, p. 122). Por conseguinte, mediante esse decreto oficial do Concílio de Florença, pode-se concluir, catolicamente, que todas aquelas dezenas de bilhões de seres humanos que morreram fora da Igreja Católica desde 1442 até o período do Concílio Vaticano II (1962-1965) foram todas para o “fogo eterno”! Será isso uma verdade absoluta? Sim, para quem mantém uma “fé cega”, mas não, para quem mantém uma “fé raciocinada”. O Concílio Vaticano II tentou amenizar essa crença exclusivista e mítica da Igreja Católica, mas, na presente década, o Vaticano vem tentando ressuscitá-la, particularmente através da Declaração “Dominus Iesus” (O Senhor Jesus), sobre a unicidade e universalidade salvífica de Cristo e da Igreja Católica, de autoria do Cardeal Joseph Ratzinger (hoje o Papa Bento XVI), com plena aprovação do Papa João Paulo II, Congregação para a Doutrina da Fé (Roma, 6 de agosto de 2000). No dia 10 de julho de 2007, o Vaticano, através da Congregação para a Doutrina da Fé, divulgou um documento, datado de 29 de junho de 2007, com aprovação do Papa Bento XVI, que reafirma as doutrinas católicas exclusivistas, fundamentalistas e míticas da Declaração “Dominus Iesus” (DI). Tendo em vista a necessidade cada vez mais urgente do ecumenismo e do diálogo inter-religioso, mesmo não mais acreditando que o Jesus histórico tenha fundado uma nova religião e uma igreja, farei aqui uma reavaliação crítica, idêntica à que faço em meu livro Entrevistas com Jesus: reflexões ecumênicas, sobre a Declaração Dominus Iesus (DI), um dos documentos mais exclusivistas, fundamentalistas e antiecumênicos da Igreja Católica, o qual procura retornar à velha crença exclusivista, mítica e antiecumênica, segundo a qual “FORA DA IGREJA (CATÓLICA) NÃO HÁ SALVAÇÃO”. A declaração Dominus Iesus (DI) inicia advertindo os católicos contra o perigo do “relativismo” e do “pluralismo” que ameaçam “o perene anúncio missionário da Igreja” (DI 4) e que consideram superadas verdades fundamentais da fé cristã. A fim de enfrentar a mentalidade relativista de nosso tempo, a DI reafirma “o caráter definitivo e completo da revelação de Jesus Cristo” (DI 5). É, por conseguinte, contrária à fé da Igreja a tese que defende o caráter limitado, incompleto e imperfeito da revelação de Jesus Cristo, que seria complementar da que é presente nas outras religiões (DI 6). Além da ênfase nos mitos da unicidade e universalidade salvífica de Cristo (cristocentrismo), a DI insiste na afirmação “suicida” (do ponto de vista ecumênico), de que “a Igreja Católica é a única Igreja de Cristo” [catolicentrismo] (DI 16) (negrito meu). Uma declaração fechada como essa põe fim a todo o esforço anterior da Igreja em prol do ecumenismo: Os fiéis são obrigados a professar que existe uma continuidade histórica – radicada na sucessão apostólica – entre a Igreja fundada por Cristo e a Igreja Católica: “Esta é a única Igreja de Cristo [...] que o nosso Salvador, depois de sua ressurreição, confiou a Pedro para apascentar (cf. João 21,17), encarregando a ele e aos demais Apóstolos de a difundirem e de a governarem (cf. Mateus 28,18ss); levantando-a para sempre como coluna e esteio da verdade (cf. 1Timóteo 3,15). [...] A Igreja de Cristo, não obstante as divisões dos cristãos, continua a existir plenamente só na Igreja Católica (Documento Unitatis Redintegratio, 3/DI 16). (Negrito meu) O documento rejeita a tese pluralista da equivalência funcional entre as religiões (NÃO IMPORTA O CAMINHO!), reafirmando a convicção de que a Igreja Católica não é um caminho, mas o caminho, o único caminho de “salvação” – um claríssimo retorno à velha postura eclesiocêntrica da época pré-conciliar: FORA DA IGREJA NÃO HÁ SALVAÇÃO – (cf. DI 21). Em resumo, com a DI, a Igreja Católica volta a enfatizar claramente suas velhas posições exclusivistas e fundamentalistas: só ela é a verdadeira Igreja fundada por Cristo; só ela possui a plenitude dos meios de salvação; só ela é Igreja no sentido próprio; só a ela foi confiada a plenitude da graça e da verdade etc. A declaração Dominus Iesus é, no correto dizer do teólogo católico Leonardo Boff, um documento fundamentalista (e também, diria eu, espiritualmente arrogante): O fundamentalismo doutrinário é bem representado no documento Dominus Iesus do ano 2000, assinado pelo Cardeal Joseph Ratzinger, prefeito da antiga Inquisição, que aborda a relação de Cristo e da Igreja Católica com as demais igrejas e religiões. Aí se sustenta que a Igreja Católica é a única Igreja de Cristo. As demais denominações cristãs não são igrejas, trata-se de usurpação do título. Possuem apenas elementos eclesiais. O catolicismo comparece também como a única religião verdadeira, e os que não se converterem à Igreja Católica Apostólica Romana correm risco de perdição eterna (BOFF, 2002, p. 17-18). Dou muita razão a esse mesmo ilustre teólogo católico (Leonardo Boff), ao lamentar o inegável retrocesso ecumênico e macroecumênico da Igreja Católica, marcado pela Declaração Dominus Iesus do ano 2000: Cinquenta anos de trabalho ecumênico, de diálogo inter-religioso, aparentemente se esvaíram, porque as velhas teses medievais da Igreja como única portadora dos desígnios de Deus, e fora da qual não há salvação, foram ressuscitadas. Isto provocou um escândalo em toda a Igreja, escândalo que não foi ainda digerido nem por nós católicos, muito menos pelos protestantes, que estavam se acercando muito próximos da Igreja Católica (BOFF, 2002, p. 17-18) (negrito meu).
Escrito por José Pinheiro de Souza às 12h05
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338- JESUS FOI O ÚNICO QUE RESSUSCITOU APÓS TRÊS DIAS? (matéria extraída de meu 7º livro ecumênico “O MITO DA UNICIDADE CRISTÔ, em andamento) (29/3/2012 De modo algum. O número três tem um rico sentido esotérico e simbólico e a ressurreição de divindades solares pagãs (como Átis, Adônis, Osíris/Hórus e Jesus Cristo), “após três dias”, tem uma explicação astrológica, referente ao solstício de inverno, conforme veremos nesta resposta. No dizer do escritor Tom Harpur, O número três ganhou dimensão esotérica e simbólica pelo fato conhecido de que, por três dias e duas noites a cada mês, a Lua deixa de ser visível da Terra. Simbolicamente, acreditava-se que a Lua mantinha relações com o Sol nesse período para conceber a Lua nova. Portanto, três tornou-se um símbolo de qualquer período importante de mudança ou renovação. Isso também explica os três dias de Jesus no tumulo antes da sua suposta ressurreição física(HARPUR, 2009, p. 45) (negrito meu). Como também afirma Joseph Campbell, em sua obra “O Poder do Mito”, a morte e ressurreição do deus [solar] é associada, em toda parte, à lua, que morre e ressuscita todo mês. São duas noites ou três dias de escuridão; e ali temos Cristo, por duas noites e três dias, no túmulo. Ninguém sabe exatamente qual a data do nascimento de Jesus, mas adotou-se a data que costumava ser a do solstício de inverno, 25 de dezembro, quando as noites começam a ficar mais curtas e os dias mais longos. Este é o momento do renascimento da luz. Essa é exatamente a data do nascimento do deus persa da luz, Mitra, Sol, o sol (CAMPBELL, 2011, p. 188). Os astrólogos e astrônomos explicam que o Deus-Sol “morria” e “ressuscitava” “após três dias”, no solstício de inverno, ou seja, o Sol desaparecia (isto é, “morria”) e, “depois de três dias”, reaparecia (ou seja, “ressuscitava”). Ao longo da história, muitos personagens foram identificados como o Deus-Sol, “Salvador do mundo”, “Filho de Deus”, que “morre” e “ressuscita”, “após três dias”, para nos salvar, tais como Hórus (do Egito Antigo), Krishna (da Índia), Mitra (da Pérsia) e, obviamente, Jesus Cristo e muitos outros. Diante de todas essas evidências históricas, não há mais como negar o fato de que o Jesus da fé cristã dogmática (semelhante a muitas outras divindades solares deste planeta) é realmente um mito pagão de origem solar, o qual, simbolicamente interpretado, tem (igualmente com muitas outras divindades solares) o rico sentido de representar a divindade dentro de nós, o nosso “salvador”, ou seja, Deus dentro de nós, uma vez que Deus habita dentro de cada um nós.
Escrito por José Pinheiro de Souza às 11h17
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337- SÓ JESUS SALVA? (matéria extraída de meu 7º livro ecumênico “O MITO DA UNICIDADE CRISTÔ, em andamento) (28/3/2012) SÓ O AMOR SALVA! Com base no escorregamento de um para o (ou de uma para a), os cristãos dogmáticos, particularmente os fundamentalistas, criaram o mito errôneo da unicidade cristã, ou seja, o mito segundo o qual Jesus não é um, mas o (único) salvador da Humanidade (SÓ JESUS SALVA!), “pois não há sob o céu outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos” (Atos 4, 12); segundo esse mesmo escorregamento mítico dos cristãos, Jesus não é um, mas o (único) caminho e a (única) verdade (cf. João14,6); Jesus não é um, mas o único “mediador entre Deus e os homens” (1Timóteo 2,6), com ele se encerrou definitivamente toda a Revelação divina, a religião supostamente fundada por ele é a única religião verdadeira e a igreja também supostamente fundada por ele é a única igreja verdadeira etc. Em outros termos, o escorregamento de um para o (ou de uma para a), gerou o grande erro do exclusivismo cristão, o chamado mito da unicidade cristã, o qual discrimina todas as outras religiões e todos os outros líderes religiosos do mundo, além de impedir o cada vez mais necessário diálogo inter-religioso de igual para igual. É indiscutível que esse mito não se coaduna absolutamente com o código de moral (ou de ética) universal, pluralista, resumido na lei do amor, pregado e vivenciado pelo Jesus histórico. Como é, então, que podemos afirmar literalmente que Jesus é o (e não um) salvador, que SÓ JESUS SALVA, se ele resumiu todos os seus ensinamentos no MANDAMENTO PLURALISTA DO AMOR? “Isto vos ordeno: amai-vos uns aos outros” (João 15,17). Jesus, de fato, pregou e viveu o amor, o perdão, a caridade, a fraternidade, a paz e a humildade, sem discriminar ninguém. É preciso esclarecer também, com base em muitos estudiosos críticos da Bíblia, como os integrantes do Seminário de Jesus (cf. FUNK & THE JESUS SEMINAR, p. 419), que o famoso versículo joanino, segundo o qual Jesus teria afirmado ser “o Caminho, a Verdade e a Vida” (João 14, 6), não é de autoria do Jesus histórico, mas do evangelista João, que certamente o copiou da literatura sagrada do hinduísmo, onde Krishna, o filho de Deus, o verbo encarnado, o primeiro salvador do mundo, nascido miraculosamente (de um parto virginal), cerca de quatro mil anos antes de Cristo, também declarava ser O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA: “Eu sou o caminho [...]; eu sou a vida [...]; sou eu mesmo a luz da Verdade [...]” (ROHDEN, Bhagavad Gita, p. 92, n. 18-19; p. 101, n. 11). Hórus (divindade egípcia) também declarava ser A LUZ DO MUNDO, O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA (cf. HARPUR, 2008, p. 93). Vemos assim, por conseguinte, que o escorregamento de um para o (ou de uma para a), não é exclusividade do cristianismo, mas também do hinduísmo e, diria eu, de todas as demais religiões. O exclusivismo é um fenômeno comum a todas as crenças, uma vez que cada religião se considera a única verdadeira. Em minhas publicações ecumênicas, argumento que o versículo joanino (João 14,6), um dos mais citados em toda a literatura cristã, é superexclusivista. Por isso, faço um forte alerta macroecumênico a respeito desse famoso versículo joanino, segundo o qual Jesus teria afirmado ser O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA. Imaginem quanta discriminação por parte dos cristãos, ao longo de toda a sua história, contra as outras religiões, exatamente com base em interpretações literalistas e exclusivistas dos escritores do Novo Testamento (NT), a respeito de palavras inautênticas atribuídas a Jesus, como as desse famoso versículo joanino. Se Jesus é literalmente o caminho, não há outro caminho, ou seja, ficam excluídas automaticamente todas as pessoas que seguem outros líderes religiosos e outras religiões. Nesse sentido, o slogan tão repetido em meus livros ecumênicos (NÃO IMPORTA O CAMINHO!) perde totalmente o seu sentido pluralista, em favor de uma interpretação altamente exclusivista a respeito da pessoa de Jesus. Imaginem que dois terços da humanidade (hoje cerca de 4 bilhões de seres humanos não cristãos) ficariam todos excluídos, caso passagens evangélicas exclusivistas como essa fossem realmente autênticas. Em outras palavras, para os cristãos exclusivistas, baseados num Evangelho também superexclusivista, como o de João, só há um caminho e uma só religião. Se Jesus é a verdade, todos os outros caminhos tornam-se automaticamente “falsos”. Se Jesus é a vida, quem não o segue está “morto”, está “perdido” e “condenado” às penas eternas, conforme a interpretação da maioria dos cristãos. É mais do que evidente que o Jesus histórico, pluralista, ecumênico e macroecumênico jamais tenha sido o autor desse versículo joanino exclusivista. Esse famoso versículo foi (e continua sendo) a grande lógica para o slogan exclusivista: FORA DE CRISTO, NÃO HÁ SALVAÇÃO (ou, mais restritamente, FORA DA IGREJA, NÃO HÁ SALVAÇÃO), uma vez que Jesus não apenas seria o caminho, a verdade e a vida, e ninguém iria ao Pai a não ser por ele, mas também teria fundado uma Igreja e entregue exclusivamente a Pedro as chaves do Reino dos Céus (cf. Mateus 16,18-19). A interpretação exclusivista desse versículo joanino tem apoiado a pretensão do cristianismo institucional de ser “a única fé verdadeira para toda a humanidade” (DRCO, verbete cristianismo), todas as demais religiões sendo automaticamente classificadas como “marginais” ou “falsas” (cf. DRCO, p. 379). Em resumo, a conhecidíssima crença cristã, segundo a qual Jesus é literalmente o único Salvador da humanidade – SÓ JESUS SALVA! – é um dos maiores erros do cristianismo dogmático, porque exclui e discrimina todas as outras religiões e todos os outros líderes religiosos do mundo. O mesmo se diga de outras crenças cristãs exclusivistas, tais como: Jesus é o único Filho de Deus, o único Deus encarnado, o único Mediador entre Deus e os homens, o único que nasceu miraculosamente, o único que ressuscitou dos mortos, o único caminho, a única verdade, ninguém vai ao Pai a não ser por Ele etc. É indiscutível que essas crenças cristãs, interpretadas literalmente (e não metaforicamente), não se coadunam absolutamente com a lei do amor, com a fraternidade, com a paz, porque elas geram muitos preconceitos, exclusivismos e divisões entre o cristianismo dogmático e as outras religiões deste planeta. Quantas brigas, divisões e guerras catastróficas entre cristãos e não cristãos ao longo da História, exatamente por causa das crenças exclusivistas e míticas dos cristãos. Quantas pessoas que foram discriminadas e até mortas, dentro do próprio cristianismo, por não concordarem com a crença literal nos dogmas ou mitos cristãos referentes à pessoa de Cristo. Quem discrimina o próximo não o ama. Se é literalmente verdade que só Jesus salva, então todas as outras religiões estão erradas e têm que aceitar Jesus como o único Salvador, pois, do contrário, não poderão salvar-se. Esse, repito, é o chamado erro (ou mito) da unicidade cristã, um dos mais combatidos em meus livros ecumênicos, porque é radicalmente incompatível com o amor, a paz, a fraternidade, a união, o pluralismo e o diálogo inter-religioso de igual para igual. Nesse contexto recomendo , mais uma vez, a leitura do livro The Myth of Christian Uniquenesss (‘O Mito da Unicidade Cristã’), organizado pelos teólogos pluralistas cristãos John Hick – protestante – e Paul Knitter – católico (HICK & KNITTER, 1987).
Escrito por José Pinheiro de Souza às 10h12
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